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15/05/2005 - 14h55
"A Vingança dos Sith" é parábola intergaláctica sobre a política americana
Por Maria Carmona

CANNES, França, 15 mai (AFP) - Cannes ovacionou "A Vingaça dos Sith", terceiro episódio da saga "Guerra nas Estrelas", que conta como Anakin Skywalker se transformou em Darth Vader e como a democracia passou à ditadura, um filme que em alguns momentos parece fazer uma parábola sobre a política americana atual.

O filme fez sua pré-estréia mundial neste domingo no Festival de Cannes e foi visto por um público de fãs, que o recebeu com aplausos antes mesmo de exibido, ao anúncio do início da projeção, quando o título apareceu na tela, e em vários momentos da trama, saudando o seu final com uma enorme ovação.

Para os fãs incondicionais da saga, que acompanham as peripécias galácticas de Luke e seus companheiros desde 1977, "A Vingança dos Sith" põe um ponto final em um capítulo da história do cinema, desvendando um grande mistério da série: como Anakin Skywalker (Hayden Christensen) cumpre sua trágica sina de trocar o bem pelo mal.

O filme mostra ambientes fantásticos, batalhas siderais e desventuras dos heróis que passaram a fazer parte da mitologia cinematográfica: Anakin Skywalker, a rainha Padmé Amidala (Natalie Portman), Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor).

O novo capítulo os situa em um ambiente muito mais sombrio e de tom mais trágico, com algum toque de humor, como quando Obi-Wan cavalga como um caubói uma espécie de crocodilo espacial ou quando, obrigado a usar uma pistola para se salvar, o mestre Jedi a joga com um gesto de desprezo, exclamando, "Que método incivilizado!"

Os menos fanáticos acharão insossas as intermináveis batalhas galácticas, e simplista demais a solução do famoso mistério de Anakin-Darth Vader.

A verdadeira surpresa está nos diálogos do chanceler Palpatine (Ian McDiarmid), o vilão do filme, que lembram os do presidente americano, George W. Bush.

Em entrevista coletiva concedida neste domingo, o diretor George Lucas falou sobre isto, esclarecendo que o filme, escrito na época da guerra do Vietnã, se propunha a mostrar "como uma democracia se transforma em ditadura; como alguém bom pode se tornar alguém mau".

"Há um paralelo entre a guerra do Vietnã e a do Iraque, quanto à atitude dos americanos" em ambas, reconheceu.

O cineasta disse ter estudado história, sobretudo a do Império romano, a da França napoleônica e inclusive a da Alemanha de Hitler. "O tema é sempre o mesmo: uma democracia que acaba em ditadura", analisou.

"Sempre há ameaças. Inclusive nos Estados Unidos", disse, acrescentando que ao estudar história, nunca pensou que se aproximaria tanto dela no filme.

"Espero que não vivamos algo assim nos Estados Unidos, talvez este filme faça com as pessoas tomem consciência, em particular sobre as ameaças que pesam sobre a democracia", concluiu Lucas.


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