Cannes (França), 14 mai (EFE) - O diretor de cinema francês Claude Lanzmann declarou hoje oficialmente aberto o 61º Festival de Cannes, pedindo a "unidade indestrutível" do cinema, feita "com solenidade, emoção, esperança e com muita alegria também".
Seguindo a tradição, o nome da pessoa que abriria o festival se manteve em segredo até o último momento e só se soube quem inauguraria a mostra quando o próprio Lanzamann apareceu no palco do Grande Teatro Lumière do Palácio dos Festivais de Cannes.
O mestre de cerimônias foi Edouard Baer, ator, comediante e diretor que animou a festa de abertura com humor e profundidade.
O toque grave ficou com Lanzmann, que festejou o cinema em geral e lembrou os 12 anos que ele levou para criar "Shoah" (1985), assim como a fraternidade que lhe une com o cineasta americano Quentin Tarantino.
Deste "evento único e incomparável" que é o Festival de Cannes, destacou a mistura entre o profundo e o lúdico.
A cerimônia de abertura serviu também para apresentar oficialmente os membros do júri, presidido pelo diretor americano Sean Penn.
Os jurados são: Alfonso Cuarón, do México; Marjane Satrapi, do Irã; Sergio Castellitto, da Itália; Rachid Bouchareb, da França; Apichatpong Weerasethakul, da Tailândia; a atriz israelense Natalie Portman, a germânico-romena Alejandra María Lara e a francesa Jeanne Balibar.
Foi exibida uma breve montagem com cenas dos filmes da seleção oficial.
O primeiro deles foi "Blindness", do cineasta Fernando Meirelles, baseado na obra "Ensaio sobre a Cegueira" do escritor José Saramago.
O Festival de Cannes termina no dia 25 com a entrega de seus principais prêmios, em particular a Palma de Ouro 2008, que, além de recompensar o valor artístico de uma obra, será concedido para um trabalho comprometido socialmente com seu tempo, anunciaram à imprensa os membros do júri hoje à tarde.
"Qualquer que seja nossa decisão para a Palma de Ouro, temos todos uma mesma idéia, devemos estar certos de que o cineasta que fez esse filme era consciente da situação, da época do mundo em que vive", ressaltou Sean Penn.
A política, e os políticos "estão aí para promover a qualidade da vida das pessoas", e se um filme expressa esta idéia da vida, "essa é a política que nos interessa", ressaltou.
Segundo Sean Penn, todos os membros do júri compartilham "uma mesma forma" de entender o cinema, e verão "com um mesmo espírito" os 22 filmes que concorrem ao prêmio.
Questionado sobre as críticas ao Governo do presidente americano, George W. Bush, que proliferam em Hollywood, o ator as considerou lógicas, pois "sua política é feita de estupidez".
"A política esta aí para que ajudemos uns aos outros", disse Sean Penn, que, sem apoiar "nenhum candidato", assim como a atriz Natalie Portman, disse "respaldar a inspiração" e a esperança que o aspirante democrata Barack Obama despertou nos Estados Unidos, nestas eleições que "são as mais importantes da história" do país.