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Pela primeira vez no Brasil sai a edição completa de "Cenas de um Casamento", minissérie para a TV dirigida pelo sueco Ingmar Bergman. Apenas a versão reduzida de 167 minutos foi exibida nos cinemas brasileiros, e a história foi adaptada para o teatro e lançada em livro.
Há muitas diferenças entre a versão completa e a reduzida, todas para melhor. Agora, ao final de cada episódio, uma voz que parece ser de Bergman anuncia os créditos (em cima de imagens da ilha de Faro onde ele mora) e faz um resumo sintético e esclarecedor do capítulo anterior no começo do episódio seguinte.
Rodado em 16 milímetros, o filme tem problemas principalmente no começo com a cenografia e figurinos, que se tornaram bregas. Mas felizmente, do terceiro capítulo em diante, o longa praticamente é feito por grandes closes, emoldurando o rosto expressivo e sensível de Liv Ullman, certamente uma das melhores atrizes do mundo e uma figura altamente cinematográfica, insuperável em reações.
Com diálogos brilhantes e precisos (em que talvez falte um pouco de senso de humor), Bergman conta a história do casal Johan e Marianne, que, depois de dez anos, acha que é feliz. Ele é pesquisador cientifico; ela, advogada de casos familiares.
Primeiro os dois recebem a visita de um casal em crise que não pode se separar (ela é Bibi Andersson, antiga estrela dos filmes de Bergman). No segundo capítulo, para total surpresa de Marianne, Johan lhe conta que tem uma amante e que pretende largá-la. O conflito se alargara por outros dez anos, com mais casamentos.
Há poucos coadjuvantes, e o final reserva algumas reviravoltas. Embora saudado como obra-prima, o filme não pôde concorrer ao Oscar porque era feito para a TV. Mas ganhou o Globo de Ouro, e Liv foi melhor atriz do prêmios Bafta, David de Donatello e Críticos de Nova York.
Curiosamente, o filme ganhou adaptações na Índia (1990) e na Itália (1999). Em 2003, Bergman escreveu e dirigiu
"Saraband", a continuação da história do casal, e não deixou passá-lo nos cinemas.