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Tom Hanks volta ao mar e a sonhar com o Oscar com "Captain Phillips"

Mateo Sancho Cardiel

28/09/2013 11h26

Tom Hanks, um dos atores mais queridos de Hollywood, assume, aos 57 anos, novos desafios com "Captain Phillips", no qual, sob a direção quase documental de Paul Greengrass, transmite o inferno e o instinto de sobrevivência de um capitão sequestrado por piratas somalis.

No mar, Hanks já tinha passado por um duro revés em "Náufrago", de Robert Zemeckis. Passaram 13 anos desde então, mas o vencedor de dois Oscar de melhor ator - por "Philadelphia" e "Forrest Gump"- demonstra que ainda tem cartas na manga.

"Captain Phillips" abriu ontem oficialmente o Festival de Cinema de Nova York, e está baseado em um personagem real, o capitão americano da marinha mercante Richard Phillips, que foi sequestrado por piratas somalis em 2009 e iniciou um tenso processo de negociação entre os Estados Unidos e os sequestradores.

"Li sua biografia antes mesmo de receber o roteiro e falei com ele algumas vezes. Falei então que diria coisas que provavelmente ele nunca tinha dito e estaria em lugares que ele nunca tinha pisado. Mas, que se trabalhássemos bem, seríamos muito fiéis à natureza do que aconteceu", disse Hanks na apresentação do filme.

O ator teve que se submeter a um duro processo de filmagem no qual 75% das cenas transcorre em alto-mar e algumas dentro de um claustrofóbico bote salva-vidas.

"Quando se filma em alto-mar, seu estômago quase dá a volta em seu pescoço e isso cria alguns problemas", brincou.

"O que vemos em grandes atores como Tom Hanks é a coragem para encontrar a veracidade", afirmou por sua parte Greengrass, famoso em Hollywood pelo trabalho de direção nos filmes "A Supremacia Bourne" e "O Ultimato Bourne".

"O desafio era apresentar os fatos que envolvem a pirataria de uma forma honesta. É sobre sua moralidade, embora seja obscura e perigosa, mas mesmo assim é possível encontrar alguma humanidade nisso", acrescentou.

Com a interpretação de Hanks como eixo, "Captain Phillips" fala dos códigos de honra do protagonista, um herói discreto, mas cresce em tensão ao deixar explodir na tela a improvisação desses sequestradores somalis que acabam perdendo o controle de sua busca por dinheiro fácil, da mesma maneira que mostra uma operação militar americana indubitavelmente eficiente, mas moralmente duvidosa.

Greengrass, mais uma vez, busca a imersão do espectador, como conseguiu com "Domingo Sangrento", com o qual ganhou o Urso de Ouro em Berlim, e o heroísmo e o pânico convivendo em um espaço limitado como em "Voo 93", que lhe valeu uma indicação ao Oscar.

"Gosto de ser muito fiel à realidade, acho que é um instinto. Neste caso concreto, há fatos que ocupam quatro dias e que têm que ser comprimidos em duas horas cinematográficas. Esse foi nosso desafio", concluiu o diretor.