''O Céu Sobre os Ombros'' vence prêmio de melhor filme e direção no Festival de Brasília

NEUSA BARBOSA
Do Cineweb

  • Divulgação

    Cena do filme ''O Céu Sobre os Ombros'', de Sérgio Borges

    Cena do filme ''O Céu Sobre os Ombros'', de Sérgio Borges

Ao final do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, nesta terça (30), o filme mineiro "O Céu sobre os Ombros", do estreante em longas Sérgio Borges, levou cinco troféus – inclusive os mais cobiçados, filme e direção. Mas também ficou com montagem, roteiro e um inusitado Especial do Júri para seus personagens-atores.

"O Céu sobre os Ombros" mistura documentário e ficção e parte da história e da personalidade de três pessoas- o transexual Everlyn, o operador de telemarketing e hare krisha Murari e o escritor congolês Lwei, criando situações ficcionais em que eles atuam em contexto semelhante ou não com as próprias vidas. O próprio diretor preferiu não esclarecer totalmente as verdades e mentiras retratadas, mantendo a dualidade dos gêneros.

O filme traduziu a discussão sobre o possível fim da fronteira entre ficção e documentário que foi uma das grandes vertentes do festival este ano, caracterizando-se por concorrentes com preocupação de inovação em termos de linguagem cinematográfica, muitos realizados por diretores novatos.

Em seus agradecimentos, o diretor Sérgio Borges, declarou: "Espero que o festival siga por esse caminho. O festival sempre foi forte quando foi arriscado. Há dezenas de outros cineastas para juntar-se a estes (referindo-se aos que participaram da competição este ano)".

O segundo filme mais premiado foi o outro concorrente mineiro, a ficção "Os Residentes", de Tiago Mata Machado, que ficou com os troféus de melhor fotografia (para o veterano Aloysio Raulino), trilha sonora, atriz (Melissa Dullius) e atriz coadjuvante (Simone Sales de Alcântara).

"Transeunte" (RJ), primeira ficção do diretor Eryk Rocha ("Pachamama") venceu os prêmios de melhor som, melhor filme para a crítica e também o de melhor ator – este, para o veterano Fernando Bezerra (de "Linha de Passe" e "Sargento Getúlio"), que fez questão de lembrar, em seu agradecimento: "Este prêmio não é meu, sou apenas o embaixador orgulhoso e vaidoso de todos os que realizaram o filme comigo".

Outro concorrente carioca, "Alegria", de Felipe Bragança e Marina Meliande, ganhou nas categorias direção de arte e ator coadjuvante (Rikle Miranda). O terceiro carioca, o documentário Amor?", de João Jardim, venceu um único prêmio, o de melhor filme para o júri popular. Apenas o concorrente pernambucano "Vigias", documentário do estreante em longas Marcelo Lordello, não recebeu nenhum prêmio. 

A premiação, de todo modo, foi generosa para com os filmes em que se identificaram as maiores ousadias, em termos de forma e conteúdo, deixando de lado a questão do que é ou não mais popular ou voltado para um grande mercado. Este ano, a seleção do Festival de Brasília, decididamente, optou por procurar novos cineastas, tendências e caminhos. O futuro dirá se a ousadia da aposta compensou.

Segue, abaixo, a lista com os premiados do júri oficial na edição de 2010 do festival.

Longa-metragem em 35mm

Melhor filme  - "O Céu Sobre os Ombros", de Sérgio Borges
Prêmio Especial do Júri - Aos personagens/atores do filme "O Céu Sobre os Ombros"
Melhor direção - Sérgio Borges, por "O Céu Sobre os Ombros"
Melhor ator - Fernando Bezerra, de "Transeunte"
Melhor atriz - Melissa Dullius , de "Os Residentes"
Melhor ator coadjuvante - Rikle Miranda , de "A Alegria"
Melhor atriz coadjuvante - Simone Sales De Alcântara, de "Os Residentes"
Melhor roteiro - Manuela Dias e Sérgio Borges por "Céu Sobre os Ombros"
Melhor fotografia - Aluizio Raulino, por "Os Residentes"
Melhor direção de arte - Gustavo Bragança, de "A Alegria"
Melhor trilha sonora - Andre Wakko, Juan Rojo, David Lanskylansky e Vanessa Michellis por "Os Residentes"
Melhor som - Som Direto, Edicão de Som e Mixagem de "Transeunte"
Melhor montagem - Ricardo Pretti, de "Céu Sobre os Ombros"

Curta ou média-metragem em 35mm

Melhor filme - "Acercadana", de Felipe Peres Calheiros
Prêmio especial do júri: "Braxília", de Danyella Proença
Melhor direção - Gabriel Martins e Maurilio Martins, de "Contagem"
Melhor ator - Vinny Azar e Ícaro Teixeira, por "A Mula Teimosa e o Controle Remoto"
Melhor atriz - Dira Paes, de "Matinta"
Melhor roteiro - Danyella Proença, de "Braxília"
Melhor fotografia - Yuri Cesar, de "Cachoeira"
Melhor direção de arte - Maíra Mesquita, de "Fábula das Três Avôs"
Melhor trilha sonora - Puriki e índios do alto rio negro, de "Cachoeira"
Melhor som - Som Direto, Edicão de Som e Mixagem de "Matinta"
Melhor montagem - Paulo Sano de "Acercadana"

Curta-Metragem Digital

Melhor Filme  - "Traz Outro Amigo Também", de Frederico Cabral
Melhor Direção – Pablo Lobato, pelo filme "Queda"
Melhor Ator - Emanuel Aragão, por "Só Mais um Filme de Amor"
Melhor atriz - Ketellen Coutinho, por "Tempo de Criança"
Melhor Roteiro - Samir Machado de Machado, por "Traz outros Amigo Também"
Melhor Fotografia - Carol Matias e Elias Guerra, por "Entrevãos"
Melhor Direção De Arte - Daniel Banda, por "O Filho do Vizinho"
Melhor Trilha Sonora - Lucas Marcier, por "Tempo de Criança"
Melhor Som - O Grivo, por "Queda"
Melhor Montagem - Alberto Feoli, por "Traz Outro Amigo Também"

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