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"Os filmes são uma retribuição aos fãs que sempre têm muita curiosidade sobre o Renato Russo", diz mãe do cantor

ALYSSON OLIVEIRA<br>Do Cineweb, de Paulínia

10/07/2011 18h36

O cinema está descobrindo Renato Russo. Foi lançado no 4º Paulínia Festival de Cinema o documentário “Rock Brasília  - Era de Ouro”, de Vladimir Carvalho,  que, embora não seja especificamente sobre o líder do Legião Urbana, coloca-o bastante em cena. Além deste filme,  uma biografia baseada na vida do cantor está sendo rodada no Polo de Paulínia, outro, baseado na canção Faroeste Caboclo acabou de ser filmado. Além destes, a mãe do cantor, morto em 1996, Maria do Carmo Manfredini, disse que a atriz e diretora Denise Bandeira está trabalhando num roteiro baseado na música Eduardo e Mônica.

“Liberar os filmes é uma forma de retribuir aos fãs que até hoje gostam muito do Renato e sua obra”, disse Maria do Carmo Manfredini, neste domingo no Festival. Ela conta que sua reação, ao ver o documentário na noite de sábado, foi de lembrança e descoberta. “Muita coisa me deixou de cabelo eu pé. Eu não sabia de tudo que está no ‘Rock Brasília’. O documentário é uma resposta e agradecimento às pessoas que gostam do meu filho e do Legião”. Em “Somos tão jovens”, de Antonio Carlos Fontoura (“Gatão da meia idade”), Maria do Carmo será interpretada por Sandra Corvelonni, que em 2008 ganhou prêmio de interpretação feminina no Festival de Cannes, por “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas.

Carmem Tereza, irmã de Renato, e também cantora, explica que a família acompanha os filmes de perto e que só liberou Faroeste Caboclo quando achou um roteiro que os agradassem. “Acho bacana que os filmes não levam para a tela não apenas o nome do meu irmão, mas de todo mundo que fazia música em Brasília naquela época”, disse.

“Rock Brasília” traz uma entrevista inédita que o diretor fez com o músico, no final dos anos de 1980, e estava inédita até hoje.  Os trechos aparecem ao longo do filme, e mostram um Renato Russo sagaz e bastante cínico e divertido, comentando sua carreira e de seus amigos, que participavam de bandas como Plebe Rude e Capital Inicial. “Me sinto um pouco tio desse pessoal”,  brincou o diretor na coletiva. Ele é amigo de Briquet Lemos, pai de Fê e Flavio Lemos, membros do Capital Inicial.

Para quem acompanha a filmografia de Carvalho, que inclui filmes como “O Engenho de Zé Lins” e “O País de São Saruê”, um documentário sobre rock ‘n’ roll pode soar estranho, mas o diretor explica que há muito tempo está familiarizado com esse universo. “Meu irmão [o diretor de fotografia Walter Carvalho] é 14 anos mais novo do que eu, e, na juventude, era roqueiro. Ouvi muito o ritmo dentro de casa”, brinca o diretor. “O rock não me é estranho. E não é de agora. Fazer documentário é de apelo de foro íntimo. Eu sou como a carta do baralho do coringa, sirvo para abordar todos os assuntos”.

O documentário “Rock Brasília – A era de ouro” está previsto para estrear nos cinemas em setembro.