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Nova aventura da Marvel, "Os Vingadores" não é indicado para público "virgem"

Capitão América em cena de "Os Vingadores" - Divulgação
Capitão América em cena de "Os Vingadores" Imagem: Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

23/04/2012 07h00

"Os Vingadores", nova produção da Marvel, tem tudo que se pode esperar de um filme com os maiores heróis da editora de quadrinhos - muita ação, efeitos especiais caprichados e sequências de luta a rodo, com direito a cenas de destruição em Nova York e até referências ao 11 de Setembro - em especial aos seus heróis, os policiais e bombeiros da cidade.

A reunião de Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo), Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) e Thor (Chris Hemsworth) é o ponto alto da empreitada de construção de um universo cinematográfico para os personagens da Marvel, iniciada quando a editora produziu "O Homem de Ferro" (2008), primeiro filme inteiramente financiado pelos estúdios criados pela Marvel.

Cada novo filme introduzia personagens que seriam resgatados na próxima produção, criando um universo repleto de interligações: a presença da S.H.I.E.L.D. é prenunciada pela aparição de Nick Fury (Samuel L. Jackson) em "Homem de Ferro"; Tony Stark faz uma ponta em "Hulk" (2008); o martelo de Thor é encontrado no final de "Homem de Ferro 2" (2010); o cientista Erik Selvig (Stellan Skarsgård) menciona Bruce Banner (alterego do Hulk) em "Thor" (2011); em "Capitão América: O Primeiro Vingador" (2011), Steve Rogers conhece o pai do Homem de Ferro e a arma secreta do vilão do filme tem ligação com uma relíquia guardada no reino de Thor - e terá papel importante em "Os Vingadores" - entre outras.

Esse universo é ao mesmo tempo a força e a fraqueza de "Os Vingadores" - enquanto os espectadores que viram todos os filmes da Marvel vão se divertir bastante reconhecendo as ligações e referências, a parcela do público que entra em contato com os personagens pela primeira vez pode ficar bastante confusa. Não é preciso conhecer os quadrinhos - o universo cinematográfico da Marvel é praticamente autossuficiente - mas não ter assistido aos outros filmes pode tirar muito da graça.

A nova produção da Marvel gasta pouco tempo em explicar a origem dos heróis para um público "virgem" e, como o conflito principal diz respeito à relação entre Thor e seu irmão adotivo, Loki, isto pode ser um problema, especialmente para quem não viu o filme sobre o semideus.

No entanto, a presença de Robert Downey Jr. assegura a volta do humor ácido que ficou de fora em "Thor" e "Capitão América". A direção até tenta dar peso semelhante a todos os heróis, mas Downey rouba a cena, favorecido por um roteiro que lhe deixa com as melhores piadas e sacadas, com direito a uma entrada triunfal na aeronave em que os Vingadores se reúnem, ao som de sua música tema, "Shoot to Thrill", do AC/DC.

Referências pop também não faltam no filme: o quadrinista Stan Lee faz uma pequena participação, "O Senhor dos Anéis" é lembrado quando o Homem de Ferro chama o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) de Legolas, e até o Capitão América, que ficou congelado por 70 anos, tem seu momento quando alguém finalmente solta uma referência de sua época - os "macacos voadores" de "O Mágico de Oz" (1939).

AVISO DE SPOILER: não continue lendo se você não quer saber detalhes da trama

Como nos quadrinhos, os Vingadores se reúnem pela primeira vez no cinema para combater Loki (Tom Hiddleston), o vingativo irmão adotivo de Thor. No entanto, os heróis não passam a trabalhar juntos por conta própria, mas são convocados pela S.H.I.E.L.D. quando Loki, derrotado e dado como morto ao final de "Thor", se alia a um exército de outro mundo (os Chitauri, possivelmente uma adaptação dos Skrull dos quadrinhos) para conquistar a Terra em troca do Tesseract (versão do Cubo Cósmico dos quadrinhos), um cubo de energia ilimitada que havia sido usado pelo Caveira Vermelha em "Capitão América" e foi recuperado do oceano pelo pai de Tony Stark.

O roubo do Tesseract por Loki e o uso que ele pode fazer do objeto é motivo suficiente para que a S.H.I.E.L.D. comece a reunir seus heróis, que, no início, passam mais tempo brigando entre si – e temendo a transformação de Bruce Banner em Hulk – do que combatendo os inimigos. Até que o grupo encontra uma motivação comum para se unir e o pau começa a quebrar – no meio de Manhattan, é claro.