Depois de "Cópia Fiel", iraniano Kiarostami filma no Japão em "Like Someone in Love"

Thiago Stivaletti
Do UOL, em Cannes

  • Divulgação

    Cena do filme "Like Someone In Love", de Abbas Kiarostami (2012)

    Cena do filme "Like Someone In Love", de Abbas Kiarostami (2012)

Depois da Palma de Ouro por "Gosto de Cereja" em 1997 e o prêmio de atriz para Juliette Binoche em 2010 em "Cópia Fiel", rodado na Itália, o iraniano Abbas Kiarostami, um dos diretores mais importantes do mundo hoje, viajou para o outro lado do mundo. Neste ano, ele compete com "Like Someone in Love", rodado no Japão apenas com atores japoneses.

"Like Someone in Love" é um irmão próximo de "Cópia Fiel" no seu fascinante jogo sobre a identidade humana e as relações entre pessoas que mal se conhecem. Uma garota de programa espera clientes num bar da moda. Logo mais, ela deve encontrar a avó que acaba de chegar a Tóquio para visitá-la. Mas seu cafetão a obriga a ir visitar um cliente, um professor idoso culto e retraído. Ela pensa que ele quer sexo, mas na verdade só quer companhia.

Ela dorme na casa dele, e no dia seguinte ele lhe dá uma carona até a faculdade, onde conhece sem querer o namorado possessivo da moça. O rapaz o toma pelo avô dela, e o professor assume o papel. E assim começa aquele jogo parecido ao de "Cópia Fiel": o espectador tem que montar um quebra-cabeça a partir da imagem que cada personagem faz dos outros personagens.

Como o Irã vive num regime autoritário e repressivo, Kiarostami começou a buscar as produções internacionais. Para este, ele inspirou-se em seus mestres Kurosawa, Mizoguchi e principalmente Yasugiro Ozu. "Durante anos eu brincava com minha equipe que um dia iria filmar no Japão", contou. "Trabalho para que o meu imaginário chegue a todos os meus espectadores independente da geografia. Meus filmes são a prova de que os seres humanos se parecem todos, apesar das diferenças. Se eu não pudesse encontrar um denominador comum entre japoneses, iranianos e franceses, não poderia dirigir este filme".

Durante muito tempo, Kiarostami pensou em batizar o filme de "The End". Mas percebeu que o filme não tinha nem começo nem final definido. "Percebi que é isso que sempre acontece na vida real", explicou. O novo título foi tirado de uma canção de jazz de Ella Fitzgerald que toca numa cena-chave do filme.

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