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Rashida Jones estreia como roteirista e conta que já jogou ovos na casa de um ex

Rashida Jones em cena de "Celeste e Jesse para Sempre" - Sony Pictures Classics/Divulgação
Rashida Jones em cena de "Celeste e Jesse para Sempre" Imagem: Sony Pictures Classics/Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

01/12/2012 05h00

Ela é filha do músico e produtor Quincy Jones e da atriz Peggy Lipton e sua irmã foi noiva do rapper Tupac Shakur, mas até cinco anos atrás Rashida Jones era praticamente desconhecida do grande público.

A atriz de 36 anos atua na TV desde 1997, mas foi com a entrada no elenco da versão norte-americana da série de comédia “The Office”, em 2006, que Rashida começou a consolidar seu espaço no showbiz. Depois de “The Office”, veio a série “Parks and Recreation” em 2009 e participações em filmes como “A Rede Social” (2010) e “Os Muppets” (2011).

Agora Rashida investe também na carreira de roteirista e estreia na função com “Celeste e Jesse para Sempre”, escrita por ela e seu amigo Will McCormack, que a atriz também estrela, ao lado do humorista Andy Samberg, conhecido por sua participação no elenco de “Saturday Night Live”.

O longa é uma comédia romântica ao contrário: não acompanha uma história de amor desde seu início, mas a partir de seu fim. Amigos desde jovens, Celeste (Rashida) e Jesse (Andy) foram casados por seis anos e estão se separando, mas continuam muito próximos. Até que finalmente precisam começar a enfrentar as dificuldades de recomeçar suas vidas amorosas. Celeste, em particular, que sempre foi muito autoconfiante e independente, vai ser confrontada com situações que vão fazer com que reveja sua postura.

Em entrevista ao UOL por telefone, de Los Angeles, Rashida falou da nova experiência, das inspirações que tomou emprestadas de sua própria vida, do seu amor por comédias românticas e da nova geração de mulheres que estão escrevendo comédia.

UOL - Você e Will McCormack saíram juntos por um curto período nos anos 1990 e decidiram ser apenas amigos. A história de vocês foi a inspiração para “Celeste e Jesse para Sempre”?
Rashida Jones -
Sim, mas só na medida em que somos muito amigos e muito honestos um com o outro. O filme é um pouco como a nossa relação, mas eu e Will pulamos toda a parte do casamento. Nós saímos por duas semanas e depois fomos direto para a parte da amizade. Mas a amizade no filme é praticamente a mesma que na vida real.

Em um determinado momento do filme, Paul pergunta a Celeste 'Você quer estar certa ou quer ser feliz?', e isso é absolutamente algo com que tive que lidar na minha própria vida.

Rashida Jones, sobre traços de sua personalidade que colocou na personagem de Celeste

Você pode dar alguns exemplos de algo da amizade de vocês que Celeste e Jesse também fazem no filme?
Sim. Infelizmente, a maneira em que eu e Andy masturbamos o protetor labial e o mini-milho é algo que eu e Will fazemos o tempo todo. É imaturo e triste [risos]. Também irritamos nossos outros amigos fazendo sotaque alemão, falando um com o outro. Acreditamos que somos as pessoas mais engraçadas do mundo, o que é irritante.

Quanto da personalidade de Celeste foi inspirada em você mesma?
Eu diria que muita coisa, mas exageramos isso. Espero não ser tão irritante e presunçosa quanto a Celeste. Tenho a tendência de querer estar certa sobre as coisas e de achar que posso julgar uma pessoa e estar certa desde o início. Mas conforme fiquei mais velha, percebi que isto não é muito interessante para mim. Em um determinado momento do filme, Paul pergunta a Celeste “Você quer estar certa ou quer ser feliz?”, e isso é absolutamente algo com que tive que lidar na minha própria vida, porque não há satisfação em achar que você está certa e que alguém fez algo da maneira errada. Então, eu diria que esta jornada da personagem, em particular, foi muito pessoal para mim.

No filme, Celeste faz coisas bem estúpidas enquanto está tentando superar o fim do relacionamento com Jesse, como vasculhar o lixo dele. Você já fez coisas desse tipo?
Eu definitivamente joguei ovos na casa de alguém... Foi muito imaturo, mas fiz isso. Mas não vasculhei o lixo de ninguém, não fui tão longe [risos]. Mas jogar ovos também é terrível.

Como foi trabalhar com Andy? Você já o conhecia, certo?
Foi ótimo e muito fácil. Andy é muito colaborativo. Foi muito bom ter a bagagem que já tínhamos com a nossa amizade, não tivemos que trabalhar muito duro para conseguir aquela química e temos um senso de humor muito parecido. Essa parte foi muito fácil.

Por qual motivo vocês escolheram o gênero da comédia romântica para a estreia como roteiristas?
Cresci absolutamente amando comédias românticas, filmes de Woody Allen, “Harry & Sally”, os filmes de James L. Brooks. E sentia que os filmes que são feitos hoje não são o mesmo tipo de comédia romântica com os quais eu cresci. Parece que são muito bobos, exagerados e amplos, ou as garotas são muito bonitinhas e quase perfeitas. E nós realmente queríamos fazer algo com que estivéssemos familiarizados e que amássemos, e talvez fazer de uma maneira um pouquinho diferente. Se ela está passando por uma separação, então vamos deixar ela realmente passar por isso, experimentar a dor da separação a ponto de não trocar de roupa e não lavar o cabelo.

Eu joguei ovos na casa de alguém.

Rashida Jones, sobre as bobagens que já fez depois de uma separação

No entanto, “Celeste e Jesse para Sempre” também é diferente das comédias românticas típicas. Vocês tinham a intenção de subverter alguns clichês?
Queríamos tentar subverter o gênero um pouquinho, porque já foi feito –e foi feito muito bem muitas vezes. Tentamos pensar numa maneira nova de fazer, que pudesse parecer com as relações que vemos hoje. Não queríamos que tivesse um final feliz, era muito importante para nós que fosse um filme sobre uma separação. Quando você começa a ver, acha que é uma história de amor, mas é o fim de uma história de amor.

Quais são suas comédias românticas preferidas?
“Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” é provavelmente minha preferida. “Harry & Sally - Feitos um para o Outro”, “Nos Bastidores da Notícia”, “Melhor É Impossível”, “Jerry Maguire - A Grande Virada”. Gosto de filmes que pareçam realistas, em que a comédia vem da dor que as pessoas experimentam em suas vidas.

Você criou o papel de Celeste para você mesma?
Sim, eu criei. Houve um momento, depois que escrevemos o filme, em que estávamos vendendo o roteiro e um interessado disse que queria o direito de escalar outra pessoa para o papel. Eu pensei um pouco mais concluí que ficaria muito brava comigo mesma se não interpretasse esse papel que tinha sido feito para mim desde o início.

TRAILER DE "CELESTE E JESSE PARA SEMPRE"

Era um papel que você queria interpretar, mas nunca tem chance?
Sim, definitivamente. Eu sou muito escalada para o papel de amiga e namorada confiável – e é ótimo, é um grande elogio. Não tenho certeza de que me escolheriam para o papel de Celeste. Então, tive que me escalar para o papel.

Mulheres são mais que a metade da população do meu país e do mundo e deveriam ter tanta voz quanto os homens. Fico triste que tenha demorado tanto para virar uma tendência, mas espero que não seja só uma modinha e se torne a realidade.

Rashida Jones, sobre a tendência de mulheres escreverem comédias

Você se considera parte desta nova geração de atrizes e roteiristas de comédia, como Lena Dunham e Kristen Wiig?
Isso é incrivelmente lisonjeiro! Eu aceito! Se outra pessoa está dizendo, sim, sim [risos].

Mas você considera isso uma tendência?
Eu acho que agora há uma tendência porque estamos fazendo e é ótimo, está dando chance para outros estúdios e produtoras darem uma chance para jovens roteiristas. Mas também me parece muito ingênuo, porque mulheres são mais que a metade da população do meu país e do mundo e deveriam ter tanta voz quanto os homens têm. Fico triste que tenha demorado tanto para virar uma tendência, mas espero que não seja só uma modinha e se torne a realidade.

Você pretende continuar investindo em sua carreira na TV? Talvez escrever uma série?
Tenho sim interesse em escrever para TV. E gosto muito de atuar, mas tenho que dizer: conforme envelheço como mulher nessa comunidade, escrever tem cada vez mais apelo para mim. Porque ter que batalhar contra todas as vaidades estúpidas de ser uma atriz –que existem, quer a gente goste ou não– não sei se sou forte o bastante para fazer isso o resto da minha vida. Pode ser que eu me esconda em uma cabine e apenas escreva filmes e programas de TV.