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Jornais ingleses furam bloqueio e publicam resenhas de "Gatsby" antes de Cannes

Do UOL, em São Paulo

14/05/2013 16h14

Jornais ingleses decidiram furar o bloqueio estipulado pelos estúdios Warner Bros. para publicar resenhas do filme "O Grande Gastby". O longa dirigido por Baz Lurhman já estreou nos Estados Unidos, mas o estúdio estipulou que veículos de qualquer outro país só poderiam publicar resenhas e entrevistas a partir de quarta (15), dia de início do Festival de Cannes, onde "Gatsby" será o filme de abertura.

É um procedimento comum nas relações entre a indústria de cinema e os meios de comunicação que os estúdios determinem uma data para a publicação de qualquer material sobre seus filmes --entrevistas, resenhas e até trailers.

No entanto, o jornal inglês "The Guardian" questiona a validade de um bloqueio regional em uma época em que a internet permite a livre circulação de informações.

"Tem sido o pesadelo de editores desesperados: a determinação de estúdios de cinema de manter embargos regionais para críticas na era da internet, onde as fronteiras geográficas são cada vez mais irrelevantes. Agora, o assunto pode finalmente ter chegado a uma resolução depois que uma série de jornais britânicos se recusaram de forma veemente a obedecer a proibição de resenhar a tão falada nova adaptação de 'O Grande Gatsby', de F. Scott Fitzgerald, dirigida por de Baz Luhrmann, antes de sua estreia europeia no Festival de Cannes, amanhã à noite", escreveu o jornalista Ben Child, do "Guardian".

O primeiro jornal a furar o bloqueio foi o "Daily Mail", que publicou sua crítica no dia 7 de maio, seguido pelo "The Independent", na sexta (10), o "Telegraph", na segunda, e o "Guardian", nesta terça.

"O Grande Gastby" estreou nos Estados Unidos na sexta, onde obteve o segundo lugar nas bilheterias, atrás de "Homem de Ferro 3". Segundo a reportagem do "Guardian", isso já seria motivo suficiente para que a insistência da Warner em manter o bloqueio na Europa deixasse de fazer sentido, já que o filme "foi visto por centenas de milhares de americanos, muitos dos quais ofereceram sua opinião no Twitter e em outros sites de grande visibilidade, antes que os críticos europeus pudessem ter a chance de dar seu veredito".

O mesmo bloqueio foi imposto aos jornalistas brasileiros, incluindo a reportagem do UOL, que só poderá publicar entrevistas feitas com o elenco a partir das 13h desta quarta.

Um dos motivos para o bloqueio da Warner poderia ser um acordo com o Festival de Cannes, que tradicionalmente prefere que os jornalistas de todo o mundo vejam os filmes selecionados durante o evento e escrevam suas resenhas de lá, argumento difícil de defender quando a crítica e o público americano já viram o filme.

Ainda assim, a etiqueta cinematográfica dita que um veículo só quebre o bloqueio se a crítica sobre o filme for positiva.

Este era o caso do "Daily Mail", que escreveu: "O exagerado diretor do musical 'Moulin Rouge', de 2001, estrelado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, não decepciona. Não é só que seu 'Gatsby' seja um 3D de arregalar os olhos, com uma trilha sonora produzida por Jay-Z, o rapper mais famoso do mundo. Ele também tem festas espetaculares, figurinos deslumbrantes e, às vezes, há tantas luzes coloridas em torno da propriedade Gatsby que parece uma enorme árvore de Natal. Você pode certamente ver onde o orçamento de US$ 100 milhões de dólares foi parar."

TRAILER LEGENDADO DO FILME "O GRANDE GATSBY"

Veja o que outros veículos ingleses escreveram sobre o filme.

Guardian:
"Depois de ter visto esta adaptação fantasticamente impensada e pesada, filme de abertura do Festival de Cannes deste ano, eu sinto que a única maneira de torná-la menos sutil seria deixar Michael Bay ["Transformers"] dirigi-la. No caso, a tarefa foi dada a Baz Luhrman, diretor de 'Moulin Rouge!' e  "Austrália", um homem que não pode ver uma sutileza sem chamar a segurança para colocá-la para fora de seu set".

Telegraph:
"Meu palpite é que ela  [Zelda Fitzgerald, viúva do autor de 'Gatsby'] teria saído da versão 3D ocasionalmente brilhante, muitas vezes desnutrida de Baz Luhrmann em torno da marca de 20 minutos, quando Myrtle Wilson coloca um disco no gramofone em seu apartamento de Nova York e a voz do rapper Kanye West surge, sobre uma linha de baixo que iria abalar as vigas do Empire State Building. A festa que se segue parece a melhor para a qual você nunca foi convidado, com champanhe espirrando pela tela em grandes e gasosos arcos, encharcando os pijamas e camisolas de seda dos foliões".

Independent:
"Poucos ficarão chocados ao saber que a versão de Luhrmann do romance curto, livre e quase perfeito de Fitzgerald é longa, espalhafatosa e falha. Se você não gosta de seus filmes anteriores, você vai encontrar poucas surpresas agradáveis aqui. Mas se você consegue aturar o estilo lúgubre e hiperativo do australiano, então há muito para se admirar."