"Meu pai teria adorado", diz filho de Renato Russo sobre "Faroeste Caboclo"

Estefani Medeiros
Do UOL, em São Paulo

O elenco de "Faroeste Caboclo", filme sobre a música homônima escrita por Renato Russo para o Legião Urbana, comentou sobre como foi o trabalho de adaptar os nove minutos da canção para uma versão cinematográfica. Os atores e o diretor Rene Sampaio estiveram em São Paulo nesta segunda (20) para divulgar a produção, que chega aos cinemas brasileiros em 30 de maio.

Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, foi citado como um dos importantes instrumentos de pesquisa para o longa. "É verossímil, extremamente fiel, mas ao mesmo tempo autônomo, tem vida própria. Meu pai com certeza teria adorado", afirmou Manfredini. "Meu pai teria acompanhado todo esse processo. Fiquei muito feliz de poder participar de tudo isso". O elenco ainda cita que as opiniões da mãe do vocalista da Legião Urbana também foram base de pesquisa para o elenco. 

  • Giuliano Manfredini, filho único de Renato

"Em uma conversa com a vó do Giuliano eu procurava fotos de quem era a Maria Lucia na vida do Renato e ela me disse que eram várias Marias Lúcias, o sorriso de uma, o rosto da outra, tudo tinha um pouco da personagem. Foi muito importante ter esse contato, ver fotos de Renato na época da escola. É um filme sobre um anti-herói, uma mocinha que fuma maconha", comenta Isis. 

Fabrício Boliveira, estreante em longas-metragens, enalteceu o personagem que vive, o protagonista João de Santo-Cristo. "João é um mito da criação de Brasília, de São Paulo, e dos nordestinos que construíram essas cidades também culturalmente", disse. "O grande prazer vem, como artista, de poder dialogar com a obra de Renato Russo."

Ísis considerou a personagem como uma fábula. "O fato de ser uma fábula é sedutor pra um ator, mas muito perigoso também", disse a atriz. "É como uma rosa cheia de espinho que você vai pegar com vontade e fura o dedo. A gente decidiu fazer o nosso, o personagem que estava na nossa cabeça, nossa história, mais singular. Espero que tenham gostado, a gente foi fundo, se entregou." 

Sampaio comentou o risco do filme virar uma versão estendida de um clipe para a música. "A gente nunca quis fazer um clipe com 100 minutos, ia ficar muito chato", disse. "Usamos a essência dos personagens, do drama, pra fazer algo singular."

Política na música

O diretor, de Brasília, também comentou sobre como foi adaptar a parte final da música, "o que eu queria era falar pro Presidente pra ajudar toda essa gente que so faz sofrer", no qual João de Santo-Cristo revela que só queria mesmo ajudar o Brasil. "A última frase [do filme], que fala sobre as políticas sociais, é a opinião do Renato, é o Renato narrador comentando a história, querendo passar um recado para os políticos. E isso também está no filme, colocamos essa discussão política sem ser de uma forma panfletária"

"Esse filme é atual, com Feliciano pregando contra as diferenças e as minorias. É sobre respeitar e admirar a diferença", disse Boliveira. "Intolerância é uma das questões muito latentes. Tem a ver com essa dificuldade de comunicação com as diferenças. Como a gente se afina dentro das diferenças?".

Sobre o destino de Santo-Cristo, já conhecido da letra da música, Boliveira diz que é uma discussão sobre destino. "No começo  eu brincava com o mito do Édipo, que é o lance de que o destino decide a vida. Pensando num garoto da comunidade, a vida vem do tráfico, da relação com isso. Que outros caminhos você pode encontrar? O que é escolha e o que é destino?", questiona. Para o ator, a função do filme não é somente entretenimento. "Espero que as pessoas não saiam do cinema pra comer uma pizza margherita e sim com um questionamento social", disse.

TRAILER DO FILME BRASILEIRO "FAROESTE CABOCLO"

Comparações com "Sobre Somos Tão Jovens"

Bianca nega que o filme seja um concorrente de "Somos Tão Jovens", longa dirigido por Antônio Carlos da Fontoura sobre a vida de Renato Russo no início da década de 1980 em Brasília. "É maravilhoso ter dois longas na mesma época, você tem uma relação mais próxima com a banda. Os dois filmes caminharam juntos desde o começo, temos parte da equipe também trabalhando em 'Somos Tão Jovens.'"

A produtora também minimiza o peso da violência no filme, que fez o Ministério da Justiça definir a classificação indicativa em 16 anos. No longa, há cenas de sexo, drogas e tortura. " A gente adora Tarantino e esse tipo de filme, mas não quisemos destacar a violência, não queríamos ser escatológicos e sim usá-la de uma forma sutil", disse o diretor. "Mas também não é nada que as pessoas não assistam no 'Jornal Nacional'", afirmou a produtora, que quer reduzir a classificação para 14 anos.

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