Talento de jovem ator desperta "ira" em Wagner Moura; conheça Jesuíta Barbosa

Mariane Zendron
do UOL, em Gramado (RS)

  • Mariane Zendron/UOL

    Jesuíta Barbosa já atuou ao lado de Wagner Moura, Irandhir Santos e em novo filme de Heitor Dhalia

    Jesuíta Barbosa já atuou ao lado de Wagner Moura, Irandhir Santos e em novo filme de Heitor Dhalia

Ao receber uma homenagem no último sábado (10) no Festival de Cinema de Gramado (RS), o ator Wagner Moura disse, ironicamente, que sente raiva de gente muito nova e muito talentosa. Ele estava atribuindo o elogio torto a Jesuíta Barbosa, pernambucano de 22 anos que atuou com Moura em "Praia do Futuro", do diretor Karim Aïnouz, ainda sem previsão de estreia. "Desse eu não tenho raiva, tenho vontade de matar mesmo, com uma paulada na cabeça", brincou Moura.

Jesuíta também está na cidade da serra gaúcha para apresentar "Tatuagem", filme de Hilton Lacerda que faz parte da competição de longas nacionais e que marca a estreia dele nas telonas. Em "Tatuagem", o jovem ator contracena e tem cenas de sexo homossexual com Irandhir Santos ("Tropa de Elite 2" e "O Som ao Redor"). Para completar o currículo do novato, Jesuíta também está no elenco de "Serra Pelada", de Heitor Dhalia. Todos os papeis foram conquistados depois de testes.

Em entrevista recente à "Folha de S. Paulo", Karim Aïnouz, também diretor de "Céu de Suely" (2006), disse que Jesuíta é muito misterioso. "Você não sabe o que vai sair de lá, se um bicho, se algo delicado". Para Lacerda, o jovem é brilhante e um dos poucos atores capazes de segurar uma cena dramática com um close no rosto.

TRECHO DO FILME "TATUAGEM", DE HILTON LACERDA

Trajetória
Jesuíta Barbosa, nome herdado do pai e do avô, nasceu em Salgueiro (PE), cidade onde morou até os oito anos de idade, quando se mudou com a família para Fortaleza (CE). Foi no colégio que o menino descobriu a paixão pela atuação. "Sempre quis fazer isso", disse ele, em entrevista ao UOL.

Depois de participar de grupos de teatro na escola, o pernambucano entrou para a faculdade de teatro, mas trancou o curso depois de três anos para realizar os filmes que, segundo ele, apareceram na sua vida com uma avalanche. "Eu ainda não consegui voltar para a faculdade, mas acho que agora não estou precisando do diploma. E também aprendo muito com os trabalhos".

Jesuíta riu quando soube do "elogio" de Wagner Moura e disse que vai tirar satisfações com o ator. "Não entendi esse elogio aí. Não tem lógica ele ter raiva de mim! Estou brincando, adoro o Wagner. Ele tem sempre uma coisa absurda a dizer".

O pernambucano garante que receber elogios de atores e diretores que admira não o assusta. "Eu fico feliz porque ele [Moura] é um cara que admiro muito. Ele tem uma força cênica impressionante. No começo, você fica surpreso de trabalhar com pessoas como o Karim e o Wagner, mas depois passa porque não dá para ficar deslumbrado o tempo todo".

Com a exibição de "Tatuagem" no domingo, no Festival de Gramado, Jesuíta se viu em ação pela primeira vez e disse que gostou do resultado. "Sou a pessoa mais insegura do mundo, mas gostei do que vi. Estou encantado com o filme". Em "Tatuagem", que se passa no final da década de 1970, o ator vive um militar que se apaixona pelo líder de uma trupe teatral no estilo Dzi Croquettes, vivido por Irandhir Santos. Em um certo momento, o militar se vê dividido entre a repressão militar e a liberdade de expressão pregada pela trupe.

Jesuíta disse que quer continuar seguindo com esse ritmo daqui pra frente. "O cinema me engoliu de uma forma avassaladora. Estou gostando muito disso, mas também quero voltar a fazer teatro". Em Fortaleza, ele já participou do coletivo As Travestidas, conhecido por levar aos palcos o mundo das travestis.

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