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"Temos muitas semelhanças", diz Angelina Jolie sobre vilã "Malévola"

Angelina Jolie participa de festa beneficente com exibição de cenários e figurinos de "Malévola", em Londres, no início de maio - Anthony Harvey/Getty Images
Angelina Jolie participa de festa beneficente com exibição de cenários e figurinos de "Malévola", em Londres, no início de maio Imagem: Anthony Harvey/Getty Images

Fernanda Ezabella

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

27/05/2014 06h00

Há tempos Angelina Jolie deixou de ser a rebelde de Hollywood e virou a mãe defensora das causas humanitárias. Mas seu novo filme em cartaz, que estreia nesta quinta-feira (29) --o primeiro em que aparece nas telas em quatro anos--, nos faz lembrar seu passado obscuro, ao vê-la interpretar uma das vilãs mais temidas da Disney, a Malévola, da animação clássica "A Bela Adormecida" (1959).

No filme, Jolie, 38, fala pouco e enche a tela com sua presença, marcada por longos chifres negros e imponentes asas. Ela é uma fada dedicada a proteger seu reino dos humanos, até ser traída covardemente por uma antiga paixão e ficar amarga e vingativa. É aqui que entra a Malévola que conhecemos, que amaldiçoa a filhinha do rei durante seu batismo. O que ela não espera é que a criança, ao crescer escondida na floresta, poderá ser sua salvação.

"Vejo muitas semelhanças com a personagem. E espero que muitas pessoas possam se identificar com ela", disse Jolie para um grupo de jornalistas em Los Angeles. "Acho que nasci com o coração aberto, confiante, mais amável e, como acontece com todo mundo, passei por coisas diferentes na vida que me fizeram confiar menos, ficar mais sozinha, mais irritada e mais cuidadosa."

Assim como Malévola nesta nova releitura do clássico, Jolie viu em suas crianças uma redenção. "Minha família fez isto para mim, me ajudou a ser leve de novo, aberta", completou a atriz, toda de preto, com um vestido de renda nas mangas compridas. Jolie adotou Maddox, 12 anos, Pax, 10, e Zahara, 9, e teve Shiloh, 7, e os gêmeos Knox e Vivienne, de 5, com Brad Pitt, que namora desde 2005. Os dois estão noivos há dois anos.

"Malévola" marca a primeira aparição nas telas de um filho do casal. Vivienne faz a Bela Adormecida criança e tem um encontro inesperado com a vilã na floresta. O diretor Robert Stromberg contou que qualquer outra atriz-mirim teria medo de se aproximar de Jolie/Malévola, mas não Vivienne.

"Precisávamos mostrar pura inocência e amor, e não preocupação com aparências", explicou Stromberg, que faz sua estreia na direção após ganhar dois Oscars por direção de arte ("Avatar" e "Alice no País das Maravilhas"). "E a única forma de conseguir isto era com honestidade. Se escolhêssemos outra criança, ela não teria uma reação honesta. Não teve treinamento com Vivienne, era simplesmente ela brincando com sua mãe."

A Bela Adormecida adolescente é interpretada por Elle Fanning, irmã da também atriz Dakota Fanning. O elenco também conta com o inglês Sam Riley ("Control"), no papel do ajudante corvo/humano da vilã, e com o sul-africano Sharlto Copely ("Distrito 9"), no papel de rei e pai da Bela Adormecida, além de antiga paixão da Malévola.

"Angelina é incrível. Eu estava muito nervosa em conhecê-la e ainda hoje fico com frio na barriga quando preciso encontrá-la", falou Fanning. "As pessoas no set a chamavam de Angie e eu nem pensar, só a chamo de Angelina. Ela tem uma grande atenção para detalhes, era bem específica com suas roupas e maquiagem."

O próximo trabalho de Jolie será "Unbroken", no qual "atua" apenas atrás das câmeras, em sua segunda incursão na direção, após o independente "Na Terra de Sangue e Mel" (2012). Desta vez, o longa será uma superprodução para ser lançada no Natal. A história segue a vida de Louis Zamperini, 97 anos, um atleta olímpico que virou prisioneiro dos japoneses na Segunda Guerra Mundial.

"Talvez seja uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida", disse Jolie sobre "Unbroken", baseado no livro de mesmo nome de Laura Hillenbrand e com roteiro revisado pelos irmãos Coen. "Louis é meu vizinho, passamos muito tempo juntos, ele me ajudou a atravessar momentos difíceis na vida. Ele é um guia para muitas pessoas."

"Louis não nasceu um cara perfeito, ele tinha muitos defeitos, fumava, bebia e roubava aos 9 anos", continuou Jolie. "E ainda assim ele se transformou num grande homem. Se fizermos direito, será um filme bom para as pessoas, especialmente para os jovens."

Leia a seguir os melhores trechos da entrevista com Angelina Jolie, feita num quarto de hotel em Los Angeles, com um grupo de jornalistas estrangeiros.

UOL - Na exibição, várias pessoas na plateia se emocionaram quando sua filha Vivienne apareceu atuando ao seu lado. Como foi filmar a cena?
Angelina Jolie -
Para a cena que ela faz comigo, a gente meio que se preparou. Não levou muito tempo, ela foi bem profissional [risadas]. Mas ela não foi muito profissional quando teve que correr atrás de uma borboleta, em outra cena. Isto nos levou meio dia.

O que os outros filhos acham disto?
Eles acham engraçadíssimo, porque ela é assim em casa. Ela está aqui [no hotel]. Ela queria me ver, tive que ir pegá-la na escola. Ela é minha sombra, é uma daquelas crianças, quer saber onde eu estou o tempo todo. Então, quando meus filhos viram que ela estava me perseguindo no cinema, eles caíram na risada, porque é exatamente como eles a conhecem em casa.

Como foi ser cruel com ela naquela cena?
Foi difícil ficar no personagem, mas a gente meio que praticou. Fizemos um jogo onde eu ia tentar ser a mais cruel possível e ela ia continuar usando o poder de seu sorriso, tentando chegar mais perto e mais perto. Ela sabia que era um jogo, mas foi um pouco difícil. É complicado segurar sua própria filha e dizer na cara dela: "Eu não gosto de crianças". Vamos torcer para que isto não deixe uma impressão a longo prazo [risadas].

É verdade que você pensa em se aposentar como atriz e se dedicar à direção? O que Brad Pitt acha disto?
Já faz um tempo que Brad sabe que eu amo meu trabalho humanitário e amo dirigir e escrever. Acho que ele espera por isto. Mas não vou me aposentar totalmente, quero fazer um ou dois filmes aqui e ali, se forem o projeto certo. Acho que é legal assim. Fiquei na frente das câmeras por tanto tempo na minha vida, é bom deixar isto de lado.

Isto também tem a ver com o fato de você querer ficar mais com suas crianças?
Sim, definitivamente. O trabalho de direção leva mais tempo, mas você tem mais flexibilidade. Eu estou montando agora [“Unbroken”] e meus filhos estão sempre lá. Posso tomar café com eles, eles me visitam, estou em casa para a janta, posso tirar folgas se eles precisam de mim para ir ao dentista. É um tipo diferente de trabalho. E é também mais prazeroso porque você fica mais envolvido na história e com a equipe de uma forma diferente. As crianças estão chegando à adolescência, vão precisar de mim, quero estar pronta para fazer menos e estar lá para eles.

Tem alguma dica para as mães de adolescentes?
Não... O melhor conselho que alguém me deu foi: “A melhor coisa a fazer é não dizer muito”. Você dá orientação o tanto quanto conseguir antes de chegar à adolescência e depois, quando chegar a vez deles de tentar coisas e expressar coisas, você só precisar estar lá para ouvir. Ouvir e ouvir muito.

Talvez ajude deixar os celulares longe da mesa do jantar?
Sim, celulares nunca na mesa do jantar. É um não-não.

E como funciona nas redes sociais? Você deixa seus filhos participarem?
Humm, eles podem [usar] alguma coisa, sim. Mas não estão no Twitter ou Facebook ou coisas do gênero, mas podem alguma coisa, sim. Não estão totalmente fora da internet. Tentamos guiá-los e protegê-los o quanto podemos.

Você era o tipo de criança que via filmes da Disney? Gostava de alguma princesa em particular?
Princesas não [risadas]. Meus filhos, não sei como, cismaram que eu estaria na “Branca de Neve”. Não consigo entender como, eu seria um dos anões? [risadas]. Eles me veem como ela, me pintam como ela. Eu gosto de “Dumbo” [risadas]. Tem algo sobre ele que era considerado errado e ruim, e na verdade era uma coisa bastante especial.

Você gosta de se ver atuando nos filmes?
Não! Tem alguns filmes que ainda nem vi. Não vi “O Procurado”, não vi “O Turista”, tem outros. Alguns eu vi no lançamento e nunca mais. Gosto da experiência de fazer o filme e amo a reação das pessoas, me faz feliz. Acho que “Malévola” eu vou gostar de assistir, acho que vou poder ver. Ela está bem distante de mim de certa forma, não é como assistir a mim mesma.