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No ótimo "The Lobster", solteiros têm prazo para achar par ou viram animais

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)

15/05/2015 11h36

Imagine um mundo no qual os solteiros vivem confinados em um hotel e têm até 45 dias para encontrar um novo namorado ou namorada. Se não conseguirem, eles são transformados em um animal (que podem escolher) e mandados para uma floresta.

Essa é a sensacional premissa de um dos concorrentes à Palma de Ouro de Cannes 2015, "The Lobster" (A Lagosta), do grego Yorgos Lanthimos, diretor dos igualmente bizarros "Dente Canino" e "Alpes". Colin Farrell (em um de seus melhores papéis) é David, um homem que acabou de se separar e é mandado para um hotel. Ele chega acompanhado de seu irmão, que não conseguiu arrumar namorada e agora é um cachorro. Ao fazer o check-in, David declara que, se fracassar, quer ser transformado numa lagosta --animal que pode viver até cem anos.

Depois de muitas humilhações, David consegue fugir para a floresta (ainda como humano) e se junta a um grupo de rebeldes solitários liderados por uma rígida moça (Léa Seydoux, de "Azul É a Cor Mais Quente"). Justo agora, quando deveria se orgulhar em ser solteiro, ele começa a se envolver com outra mulher do grupo, tão míope quanto ele (Rachel Weisz, de "O Jardineiro Fiel").

Lanthimos faz um filme carregado de humor negro, em que as situações são ao mesmo tempo sinistras e engraçadas. Um filme em clima de absurdo que explora uma questão pertinente: os solteiros pensam que os casados são sempre mais felizes, os casados não suportam a ideia da solidão dos solteiros, e a realidade é sempre mais complexa.

"The Lobster" tem o mesmo tipo de humor dos filmes dos irmãos Coen, presidentes do júri que vai escolher o vencedor da Palma de Ouro --não seria difícil imaginá-los como uma ótima segunda opção para dirigir um filme destes. Tem boas chances de agradar e levar um prêmio grande em Cannes.