Topo

Especialista que definiu faixa etária de "Star Wars" no Brasil não viu saga

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

17/12/2015 08h00

Uma das primeiras pessoas a assistir no Brasil ao aguardado "Star Wars: O Despertar da Força", que estreou no país nesta quinta-feira (17), não foi um fanático pela série nem um jornalista especializado. A "sortuda" foi uma funcionária pública de 43 anos, do Ministério da Justiça, que não viu nenhum dos seis títulos anteriores da franquia. 

Veja salas de cinema e horários para assistir a "Star Wars: O Despertar da Força".

Alessandra Macedo, diretora-adjunta do Departamento de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça, em Brasília (DF), assistiu ao filme no dia 4 de dezembro, 13 dias antes da estreia oficial, acompanhada de dois estagiários e dois analistas. A equipe, sob o comando de Davi Ulisses Brasil Simões Pires, diretor do departamento, foi a responsável por atribuir a classificação de 12 anos ao longa-metragem.

"Nosso trabalho não foi diferente do que fazemos com todos os outros filmes em exibição no país", diz Alessandra. "Mas o apelo do blockbuster fez a distribuidora tomar cuidados de segurança que eu nunca tinha visto", contou ela, por telefone, ao UOL.

A exibição para a equipe ocorreu às 10h em um cinema de um shopping em Brasília. Dentro da sala, além dos cinco funcionários do ministério, também estavam dois seguranças contratados pela Disney que ficaram durante toda a projeção de costas para a tela, olhando para os funcionários. "Eu olhava mais para os seguranças do que para o filme, de tanto que eles nos encaravam", brincou a diretora.

Além da presença dos seguranças, a distribuidora também pediu para os funcionários assinarem um termo de confidencialidade se comprometendo a não comentar sobre o filme com ninguém, nem gravar nada com celulares. "Essa foi a primeira vez desde que eu que trabalho aqui que pediram para assinar termo semelhante. Eles também queriam confiscar os nossos celulares e tablets, mas era impossível, porque fazemos anotações sobre o filme neles", disse. "Julgamos estas medidas de segurança exageradas, porque estávamos trabalhando".

As medidas de segurança também envolveram a cópia do longa-metragem, que chegou para a exibição em um HD externo, plugado em um projetor sem acesso à internet. Para abrir o arquivo do filme, que foi exibido em 2D, era necessária uma senha que só permitia a execução uma única vez --depois, o arquivo era novamente bloqueado.

"Eu não acompanho a série. Não vi nenhum dos outros filmes da franquia, mas isso não impede a análise [de classificação etária]. Deu para perceber que os efeitos especiais são incríveis e que se trata de um filme bonito de se ver. Me deu vontade de ver os outros", contou Alessandra, que se surpreendeu com a participação de Harrison Ford no filme. "Não sabia que ele tinha participado da continuação".

De acordo com a funcionária pública, a Disney pediu classificação de 10 anos para o filme, mas o ministério recomendou 12 anos. "Temos vários critérios, entre eles drogas, sexo e violência. 'Star Wars' não tem sexo, mas tem violência, embora de maneira fantasiosa e não explícita, e o uso de drogas lícitas discretamente", explicou.

"Por eu não ter essa paixão pelo filme, eu não contei vantagem por ter visto 'Star Wars' antes de todo mundo. Deveria ter feito, né? Agora perdi o timing, porque o filme já estreou", brincou. 

Assista ao trailer de "Star Wars: O Despertar da Força"

UOL Entretenimento