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Sentiu falta de Cauã Reymond na TV? Saiba que este foi o ano dele no cinema

Cauã Reymond antes da exibição de "Não Devore meu Coração" na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - Manuela Scarpa/Brazil News
Cauã Reymond antes da exibição de "Não Devore meu Coração" na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Imagem: Manuela Scarpa/Brazil News

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

23/10/2017 04h00

Reconhecido como um dos maiores galãs de novelas hoje, Cauã Reymond, 37, teve um ano muito mais de cinema do que de TV. Longe das telinhas desde a série “Dois Irmãos”, exibida em janeiro, o ator depois filmou em Pernambuco o longa “Piedade”, dirigido por Cláudio Assis (“Amarelo Manga”), e agora lança “Não Devore meu Coração”, de Felipe Bragança, drama em que vive o integrante de uma gangue de motoqueiros na fronteira do Brasil com o Paraguai.

Em comum, seus últimos papéis têm quebrado com a imagem de mocinho e galã que as novelas acabaram construindo para ele.

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“Nos últimos anos eu venho procurando personagens que me dão outra temperatura, às vezes diferentes do que eu faço na televisão”, contou Cauã ao UOL, antes da estreia de “Não Devore meu Coração” na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no sábado (21). “Mas acho que de uns anos para cá tenho feito coisas muito diferentes na TV também, principalmente nas séries”.

Seu próximo trabalho também vai nessa direção: em “Piedade”, ele faz um homossexual dono de um cinema pornô, que tem “cenas fortes” com Matheus Nachtergaele, representante de uma petroleira que chega para abalar a vida na praia que dá nome ao filme. Em tempos de volta da intolerância, com grupos tentando ressuscitar a cura gay, Cauã acredita que esse é mais um trabalho em que pode mostrar no que acredita.

Sempre que eu posso, através do meu trabalho, busco defender as coisas nas quais eu acredito.
Cauã Reymond

"Produzi um clipe dirigido pelo Daniel Rezende que falava sobre o respeito, sobre tolerar o que é diferente, respeitar o que é diferente”, relembra, referindo-se ao vídeo de “Your Armies”, música de Barbara Ohana, lançado em 2016, em que interpreta uma transexual. “A gente levantava essa bandeira. Então, acho que [o Sandro de ‘Piedade’] é mais um personagem que soma a esse discurso”.

Na entrevista a seguir, ele fala ainda sobre como passa esses valores para filha Sofia, 5, do casamento com Grazi Massafera e conta quais são seus próximos projetos.

“Não Devore meu Coração” chega aos cinemas em 23 de novembro.

Trailer de "Não Devore meu Coração"

UOL Entretenimento

UOL - Em “Não Devore o meu Coração”, como nos seus últimos trabalhos, você tem fugido um pouco dos mocinhos e dos galãs. Você está buscando quebrar com essa imagem com papéis mais diversos?
Cauã Reymond -
Eu tenho buscado isso desde que comecei a carreira, e as oportunidades que aparecem eu agarro com força total. Nos últimos anos eu venho construindo um lugar como produtor associado, coprodutor, e ajudando com as ferramentas que eu tenho a levantar esses filmes de arte, que são filmes que têm um orçamento menor. E procurando personagens que me dão outra temperatura, às vezes diferentes do que eu faço na televisão. Mas acho que de uns anos para cá tenho feito coisas muito diferentes na TV também, principalmente nas séries. A novela tem uma forma de se comunicar com o público que eu gosto muito, e com certeza fiz muitos mocinhos, mas as séries me proporcionaram coisas muito legais, como “Justiça”, “Dois Irmãos”, “Amores Roubados”, “O Caçador”. E estou muito feliz com esse novo momento da televisão brasileira, com esse casamento de muitos profissionais inclusive do cinema de arte entrando nesse mainstream que a televisão proporciona.

Cauã Reymond e Fernanda Montenegro em cena de "Piedade", de Cláudio Assis - Bárbara Cunha/Divulgação - Bárbara Cunha/Divulgação
Cauã Reymond e Fernanda Montenegro em cena de "Piedade", de Cláudio Assis
Imagem: Bárbara Cunha/Divulgação

Outro trabalho que deve quebrar com a imagem de mocinho é “Piedade”, longa do Cláudio Assis que você filmou no começo do ano, não?
Sim, subverte [essa imagem do galã]. Eu faço o dono de um cinema pornô, homossexual, que tem um filho muito jovem, antes de entender a própria sexualidade, e ao longo da história você descobre a conexão que ele tem com a personagem da Fernanda Montenegro. A gente tem o Irandhir [Santos], a Fernandona, o Matheus Nachtergaele, um baita elenco. E eu fiquei muito feliz de filmar com o Claudião, que tem esse cinema de resistência.

E você teve cenas quentes com o Matheus, certo? Como foi pra você essa experiência?
Tem cenas muito fortes, a gente protagoniza cenas super fortes, eu e Matheus. Mas foi muito legal, foi uma experiência ótima.

Você acha que é importante ter trabalhos como este em um momento em que a gente está vendo uma volta da intolerância e da homofobia?
Sempre que eu posso, através do meu trabalho, busco defender as coisas nas quais eu acredito. Produzi um clipe dirigido pelo Daniel Rezende que falava sobre o respeito, sobre tolerar o que é diferente, respeitar o que é diferente [o vídeo de “Your Armies”, música de Barbara Ohana, lançado em 2016, em que Cauã interpreta uma transexual]. A gente levantava essa bandeira. Então, acho que [o Sandro de ‘Piedade’] é mais um personagem que soma a esse discurso.

Hoje em dia temos visto muita gente usar um discurso de proteção às crianças para justificar uma posição contra a diversidade sexual. Como pai da Sofia, que tem 5 anos, você se preocupa em como vai apresentar essas questões para ela?
Eu realmente não penso nisso, deixo as coisas acontecerem naturalmente. Quando as perguntas surgirem, vou encontrar as respostas. A forma como eu penso na educação da minha filha é de mostrar que as pessoas têm direito de fazer o que elas querem, contanto que estejam respeitando o espaço e a privacidade do outro.

E quais os seus próximos projetos?
Eu estou começando a filmar a série “Ilha de Ferro”, dirigida pelo Afonso Poyart. Terminanos em abril ou maio, e devo emendar um longa logo em seguida. Estou só fechando provavelmente também como co-produtor. E no segundo semestre vou filmar o “Pedro” [sobre Dom Pedro 1º], com a Laís Bodanzky.