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Com Ricardo Darín, "Elefante Branco" mostra drama de população em favela de Buenos Aires

Cena do filme argentino "Elefante Branco", de Pablo Trapero e estrelado por Ricardo Darín - Divulgação / Paris Filmes
Cena do filme argentino "Elefante Branco", de Pablo Trapero e estrelado por Ricardo Darín Imagem: Divulgação / Paris Filmes

Neusa Barbosa

Do Cineweb*

01/11/2012 13h04Atualizada em 02/11/2012 00h37

Há muitos pontos de contato entre "Elefante Branco", novo drama do diretor argentino Pablo Trapero que estreia nesta sexta-feira (2), e a realidade social brasileira. Ambientado nos anos 1970, o filme traz um cenário de desemprego e criminalidade juvenil dentro de uma grande favela em Buenos Aires, a Villa Virgen. Lá militam dois padres ligados à Teologia da Libertação, interpretados pelo astro argentino Ricardo Darín e o ator belga Jérémie Renier, em seu primeiro papel falando espanhol.

A presença de Jérémie Renier ergue também uma ponte entre esta temática social, que o diretor Trapero persegue desde sua estreia com filmes como "Do Outro Lado da Lei" (2001) e os recentes "Leonera" (2008) e "Abutres" (2010), e o cinema humanista dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, belgas que revelaram Renier em "A Promessa" (1996) e "A Criança" -- escolhido para receber a Palma de Ouro em Cannes em 2005.

Mas é assumidamente no premiado drama brasileiro "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, que o cenário de "Elefante Branco" tem seu mais próximo correspondente, diferenciando-se pela atuação dos padres progressistas.

Na enorme favela, o padre Julián (Ricardo Darín) e seus auxiliares fazem o que podem para reduzir o impacto da pobreza e do crack, oferecendo um serviço de assistência sanitária e social, além de auxílio para a procura de emprego.

Soma-se ao grupo de religiosos o padre estrangeiro Nicolas (Renier), que escapou por pouco de um massacre numa zona indígena na Amazônia. A situação de risco deflagrou nele uma crise pessoal, que os desafios neste novo ambiente só fazem acentuar.

O título do filme remete a um grande hospital, cuja construção chegou a ser iniciada décadas atrás, mas terminou abandonado. Agora, suas ruínas oferecem esconderijo a garotos que desperdiçam sua vida na criminalidade e nas drogas.

Não apenas religiosos participam da missão. Há também ateus engajados, caso da assistente social Luciana (Martina Gusman), que se aproxima de Nicolas, agravando sem querer sua crise pessoal.

Responsável pelo grupo, o padre Julián atua num verdadeiro vespeiro, mediando as hesitações da cúpula da Igreja Católica, as pressões dos traficantes de drogas e também da polícia -- que força os padres a entregar-lhes o paradeiro de pequenos traficantes ou viciados que procuram o grupo em busca de tratamento e proteção.

Apoiado num roteiro que evoca fatos verídicos, como o assassinato do padre Carlos Mugica nos anos 1970, Trapero não suaviza o retrato do universo onde mergulha, nem as contradições de seus protagonistas, investidos de uma missão maior do que suas forças com um idealismo que só aumenta a empatia que despertam.

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

VEJA TRAILER LEGENDADO DE "ELEFANTE BRANCO", DE PABLO TRAPERO