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22/02/2005 - 20h52
Rubens Ewald Filho: "Hotel Rwanda" é bem intencionado, mas deixa a desejar
RUBENS EWALD FILHO
Colunista do UOL

À primeira vista, "Hotel Rwanda" tem cara de Oscar _para o qual foi indicado em três categorias. É daquelas histórias reais chocantes e que conta um feito de heroísmo durante a tragédia entre tribos rivais em em Ruanda, perto do Congo, em 1994, época em que o conflito entre a Bósnia e a Sérvia tinha mais destaque. Em ambos os casos são gente de um mesmo país que faz limpeza étnica sabe Deus por que razão.

No caso africano, é tudo mais grave porque não há interesses econômicos envolvidos, e a ONU e os EUA sao francamente criticados por não terem evitado de modo mais consistente o massacre de cerca de 800 mil pessoas.

O massacre em Ruanda foi uma horrível guerra civil pouco conhecida e foi agora revelada "Hotel Rwanda", dirigido por Terry George, que não revela nenhum sinal de talento.

Ele fez um filme frio, neutro, medíocre sobre um assunto explosivo. O longa conta a história de Paul Rusesab Agina (Don Cheadle, indicado ao Oscar de melhor ator), um belga gerente de hotel que salvou a vida de cerca de 1.200 pessoas. Com truques, jogadas e muita corrupção, ele conseguiu impedir que essas pessoas fossem masssacradas pelas milícias.

Como o filme explica, foram os belgas quem criaram o problema ao dividiram artificialmente os habitantes do país em duas etnias: os tutsis, mais altos e bonitos, e os hutus, mais pobres e feios, o que gerou um ódio mortal entre os dois grupos.

Paul é tutsi e bem-sucedido, mas é casado com uma hutu, e o país vive um caos, porque há rebelião de todos os lados. Mas do lado do governo, os civis tiveram acessos a armas de ferro e saíram matando as pessoas, inclusive mulheres e crianças _a cena mais forte é quando eles passam com carros por cima de cadaveres na estrada.

É algo para gritar ou chorar, mas o filme fica numa banal história de hotel sitiado, com lamúrias da mulher de Paul, traição dos colegas e total falta de clima.

Nick Nolte faz muito mal o chefe da ONU local que não tem poderes ou armas e só funciona para dar informações para a historia caminhar.

O maior mérito do filme, que provavelmente será reconhecido, é o trabalho do ator Don Cheadle (de "Doze Homens e Outro Segredo"), que sempre foi um intérprete versátil e competente. É a melhor coisa de um filme bem intencionado, mas que fica a desejar.


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