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22/02/2005 - 21h25
Rubens Ewald Filho: Direção precisa de Mike Nichols segura "Closer - Perto Demais"
RUBENS EWALD FILHO Colunista do UOL

Se houvesse um Oscar para melhor elenco e melhor trabalho em equipe, certamente "Closer - Perto Demais" seria o vencedor. Sob as ordens do veterano e admirado Mike Nichols (cineasta de "A Primeira Noite de um Homem"), o que era uma apenas curiosa peça inglesa se transformou num interessante exercício de relações humanas e amorosas.
O texto (montado no Brasil com Regina Duarte e sua filha Gabriela) conta o relacionamento entre dois casais ingleses; no filme, as mulheres são americanas. Jude Law (que tambem faz ponta sem graça em "O Aviador") é um redator de obituários que ajuda uma jovem stripper (Natalie Portman em seu primeiro papel de adulta e indicada ao Oscar de atriz coadjuvante) que foi atropelada. Tornam-se amantes e, tempos depois, Jude lança um livro e, ao tirar uma foto com Julia Roberts, se interessa por ela.
Depois, Law se faz passar por uma mulher num bate-papo na Internet e marca um encontro com um médico (Clive Owen, a segunda indicação ao Oscar do filme: ator coadjuvante). Ele vai ao encontro e, assim que conhece Julia, funciona como cupido involuntário. Depois disso, há várias reviravoltas e troca de casais, alguns conflitos, algumas verdades jogadas na cara do outro, mas sem aquele humor típico dos americanos. É um filme sobre adultos que amam e sofrem, deixam de amar e sofrem mais ainda. Ou seja, gente como todos nós.
O filme não teria dado certo não fosse a mão segura de Mike Nichols, que conduz todos com total precisão, sem exceções. Até Clive Owen ("Rei Arthur") _bonitão com carisma zero_ funciona aqui, com ferocidade e compaixão.
Entretanto a melhor figura do filme é Natalie Portman, que na série "Star Wars" está completamente apática, mas que aqui ficou sedutora, atraente, ambígüa, criando uma personagem interessante.
Vale a pena conhecer "Closer - Perto Demais", mas não espere um filme de Meg Ryan e Tom Hanks.
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