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22/02/2005 - 21h34
Rubens Ewald Filho: Roteiro e direção não ajudam "Being Julia"
RUBENS EWALD FILHO Colunista do UOL

Marilia Pêra estrelou a montagem teatral de "Adorável Júlia" no Brasil, e Lilli Palmer, sublime, o fez na versão européia do texto de Somerset Maugham. Pois bem, Lilli e Marilia eram infinitamente superiores a Annette Bening, indicada ao Oscar de atriz por sua atuação em "Being Julia".
Ela não está mal, mas nem o roteiro de Ronald Harwood nem a direcao do húngaro István Szabó ajudam. E sabe por quê? Porque fizeram um filme europeu, e não americano. A fotografia é escura (a regra é simples: comédia tem de ser clara e luminosa), a câmera está sempre colocada de forma precária em cenários reais e nunca favorece o ator ou a cena.
Foi escolhido um recurso narrativo muito duvidoso que é um fantasma, o personagem do diretor que inventou Julia (Michael Gambon), que continua falando e dirigindo-a (naturalmente só Julia o vê). Isso acrescenta pouco e não ajuda no humor. O filme é bem irregular e repete o esquema: Julia se apaixona por um rapaz mais jovem que está apenas explorando-a e quer um papel para sua nova namorada, que, por sua vez, o trai com o marido de Julia, o diretor Jeremy Irons, já que eles tem uma relacao aberta. Pena que o garoto escolhido é muito fraco (Shaun Evans), o contrário do ilustre elenco de apoio, como Bruce Greenwood, Rosemary Harris, Rita Tushingham, Juliet Stevenson e Miriam Margoyles.
Para quem não conhece o original, tudo pode ser até relativamente divertido. Annette chora um pouco demais, mas não compromete; o personagem é bom demais para negar fogo.
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