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21/02/2005 - 19h41
Rubens Ewald Filho: "O Fantasma da Ópera" cai no kitsch
RUBENS EWALD FILHO
Colunista do UOL

"O Fantasma da Ópera" concorre a três Oscar este ano (direção de arte, fotografia e canção). Nunca fui admirador do show de Andrew Lloyd Webber, que sempre me pareceu um pastiche ridículo de operetas e grand guignol. Mas o público costuma lotar os teatros _aliás, o musical está sendo montado no Brasil e estréia em breve.

Webber foi quem produziu e supervisionou o filme que ficou sob a direção de Joel Schumacher, que, depois de dois "Batman" (universalmente ridicularizados), passou a fazer fitas violentas, para as quais descobriu Colin Farrell.

Mas no fundo, Schumacher não passa de um figurinista que acertou no cinema. Essa era sua profissão original, e o carinho que tem pelos detalhes das roupas fica visível aqui. Enquanto o filme se passa dentro do Teatro de Ópera Popular, "O Fantasma da Ópera" parece rico e suntuoso. Mas logo depois cai no kitch, no cafona, no grotesco, como na câmera no leito do Phanthom _ele quis copiar "Ludwig", de Lucchino Visconti, "Ludwig"? Em outra cena de delirio, o diretor não tem vergonha de imitar descaradamente "A Bela e a Fera", de Jean Cocteau, com os braços segurando candelabros!.

A história, se é que alguem ainda não conhece, é sobre uma jovem cantora órfã, Christine, que foi criada nos bastidores da ópera por um desconhecido que parece um fantasma e que pensa ser o pai dela.

Mas ele é um compositor frustrado cujo rosto foi deformado por um incêndio e que vive nos porões do teatro, assustando os donos do lugar. Quando uma prima-dona (Minnie Driver, numa tentativa de ser alívio cômico, mas num papel pequeno demais para ser marcante) cria caso, Christine tem a chance de estrelar uma ópera e acaba sendo redescoberta pelo namorado de infância, que por acaso é tambem visconde e benfeitor do lugar. Aliás, toda a história é um longo flashback em que esse benfeitor, já velho, relembra o que sucedeu quando se fez um leilão do que sobrou do incêndio da ópera.

Schumacher acertou no mais difícil: Emmy Rossum ("O Dia Depois de Amanhã"), uma boa menina que canta e convence como a heroína, ainda que por vezes a dublagem da fita pareça fora de sincronia. O galã Patrick Wilson ("Angels in America") também é bom, ainda que esteja inexpressivo e prejudicado por um cabelo ridículo.

O problema mesmo foi ter errado tão feio na escolha do Fantasma, um ator escocês pouco conhecido chamado Gerard Butler (que fez o primeiro "Lara Croft"), que não canta bem, não é bom intérprete e não tem nenhum carisma. Outro problema: com muito efeito digitial, o filme lembra bastante "Moulin Rouge", só que sem a invenção e criatividade do filme de Baz Luhrmann. O filme acaba ficando cafona, aborrecido, medíocre.


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