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22/02/2005 - 20h44
Rubens Ewald Filho: "Menina de Ouro" é o melhor filme de Clint Eastwood
RUBENS EWALD FILHO Colunista do UOL

Não sou especial admirador de Clint Eastwood como diretor, faço restrições a muitos de seus filmes que parecem ter sido feitos às pressas, de forma descuidada e com muitas cenas escuras. Mesmo "Sobre Meninos e Lobos" não achei nada de tão especial assim apesar do delírio da crítica americana. Pois agora eles elogiaram mais ainda este "Menina de Ouro", indicado a sete Oscar este ano.
"Menina de Ouro" é até um filme relativamente pequeno e modesto. Como a maior parte da crítica, não vou contar toda a história e estragar a surpresa do enredo. Basta dizer que não é uma versão feminina de "Rocky, o Lutador". É um filme pesado, humano, trágico e, por isso mesmo, possivelmente o que Eastwood fez de melhor em toda sua longa carreira.
Aqui, a discrição, sua marca registrada, é muito bem-vinda e eleva o filme para algo mais do que uma mera história de boxe feminino.
Já houve uns poucos outros filmes sobre o tema, mas o bom de "Menina de Ouro" é que tudo é feito com a maior dignidade, sem demagogia, sensacionalismo ou exageros.
Eastwood faz um velho treinador _muito envelhecido, também melhor ator do que nunca_ que, com relutância, aceita treinar uma garota ambiciosa, Hilary Swank, que depois do Oscar de "Meninos Não Choram" finalmente voltou a acertar; não está nem mesmo masculinizada demais. Ele é ajudado por outro veterano, que se torna o narrador da história, Morgan Freeman, num papel que pode lhe render a indicação do Oscar de ator coadjuvante.
Juntos eles se tornam amigos e fazem uma boa carreira até chegar a vencer o campeonato. E mais não digo. Basta ressaltar como se evita o dramalhão, como no conflito com a família vulgar e pobre, que deseja apenas se aproveitar da bozeadora e quer ficar com o dinheiro, sem ao menos disfarçar a desaprovação pela escolha dela.
E a amizade do velho com a moça é feita com muita ternura e delicadeza. O único problema que vejo no filme é comercial, já que parece ser "filme de homem", quando na verdade é "de mulher"; precisa mesmo dos prêmios para ser mais bem vendido e apreciado. E também merece o prestígio que está conseguindo.
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