Não é apenas um filme: é um fenômeno pop que resultou em um imenso sucesso nos palcos, primeiro na Inglaterra e depois na Broadway (onde recentemente passou a ser o décimo sexto show mais visto em toda a história). O fenômeno se repetiu no cinema, onde rendeu 570 milhões de dólares em todo o mundo (um recorde para musical endereçado ao público feminino).
A ideia foi fazer um filme usando o catálogo dos suecos do ABBA, grupo famoso e de valor nostálgico, que compôs durante sua trajetória nos anos 70 um número grande de canções fáceis de cantar e de memorizar.
Inventaram uma história nada original e a rechearam de música até cansar. Já haviam feito isso antes, mas a diferença é que pela primeira vez utilizaram os arranjos originais, ou seja, não importa quem esteja cantando no filme ou no palco, vai soar sempre como a gravação que ficou famosa. Portanto, se torna irresistível. Contagiante.
Quanto à história, os roteiristas tiveram a cara de pau de simplesmente roubar a trama de um filme meio esquecido, "Noites de Amor, Dias de Confusão" ("Buona Sera Mrs. Campbell, de 1968), com Gina Lollobrigida e Shelley Winters, que tinha exatamente a mesma situação: uma mulher que transou com três homens e anos mais tarde não sabe quem é o pai de sua filha. Na comédia americana, ela explora os três fazendo com que eles enviem uma pensão e pensem que a garota é filha de cada um deles. Aqui, é a filha que resolve enviar um convite para o casamento dela, sem que eles desconfiem de nada.
E como toque exótico, tudo acontece numa adorável ilha grega. Ou seja, a história é previsível, no que não passa de uma sucessão de videoclipes e profusão avassaladora de canções. É estranho terem chamado uma diretora teatral famosa, Phyllida Lloyd, já que ela dirige como se fosse um garotão da MTV, sem aprofundar coisa alguma, sem explorar performances ou desenvolver nada.
O filme é endereçado não apenas os fãs de Meryl Streep (e não somos todos? Mas ela está longe de seu melhor momento, apesar de ter sido indicada ao Globo de Ouro), mas também da talentosa Amanda Seyfrid (da serie "Big Love").
Todos cantam de forma meio desajeitada, mas isso pouco importa, porque a voz de deles é coberta pelo coro onipresente. As coadjuvantes são boas atrizes (Julie Walters, Christine Baranski), mas estão horrivelmente caricatas. Ou seja, embora a peça musical não tenha sido encenada no Brasil (há planos para isso), o filme é à prova de critica. Tem seu público e ele deve curti-lo.

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