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14/01/2005 - 21h01
Rubens Ewald Filho: "Kinsey" é bem narrado e oportuno para os dias de hoje
RUBENS EWALD FILHO
Colunista do UOL

"Kinsey" não fez sucesso porque estes são tempos moralistas e hipócritas. E os elogios da crítica não ajudaram. Mas esse é um bom filme, outra prova do talento do diretor Bill Condon ("Deuses e Monstros"). Ele conta de forma bem polêmica a vida do pesquisador Kinsey (Liam Neeson), que, nos anos 40 e 50, estudou o comportamento sexual dos americanos de modo pioneiro e que até hoje é usado como modelo.

Se sexologia pode ser algo atrevido hoje, imagine naquela época. O filme tem um belo roteiro, também de Condon, que mostra quem foi Kinsey e os problemas que teve com o pai moralista (John Lithgow), e sua descoberta como bissexual. Eessa é uma cena muito forte: Peter Skasgaard é assistente de Kinsey, que se despe e pergunta a Liam Neeson se quer experimentar fazer sexo com um homem. Trocam um grande beijo. Tempos depois, a relação acaba, mas Peter resolve experimentar com a mulher de Liam, a ótima Laura Linney.

Mas o importante é a pesquisa que Kinsey comandou e que acabou revelando facetas inesperadas do comportamento do americano, que obviamente provocaram escândalo na época, especialmente pelos métodos heterodoxos usados, como filmar transas para estudar orgasmo com voluntárias e pesquisadores.

O filme é muito bem narrado, muito oportuno e muito humano (afinal, quem não teve problemas sexuais?). "Kinsey" tem um excelente elenco, com Lynn Redgrave, que tem um momento excelente ao dar sentido à vida de Kinsey, no papel de uma lésbica. Chega a ser emocionante.

Claro que por ser assim tão atrevido, o filme não tem grande chance em levar muitos prêmios. Mas é muito saudável que fitas assim ainda possam ser feitas.


25/11/2009