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17/02/2005 - 13h20
Tetraplégico luta por direito de morrer em "Mar Adentro"

Por Ray Bennett

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) - Ramón Sampedro é tetraplégico há 28 anos, desde que sofreu um acidente de mergulho, e quer pôr fim à própria vida. O drama espanhol "Mar Adentro", indicado em duas categorias do Oscar, apresenta argumentos contundentes para mostrar por que ele deveria ser autorizado a fazê-lo -- e também por que não deveria.

O longa-metragem de Alejandro Amenabar, nascido no Chile mas radicado na Espanha, tem estréia nesta sexta-feira. O trabalho concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro e melhor maquiagem.

O ator Javier Bardem, indicado ao Oscar por "Antes do Anoitecer" (1999), tem uma atuação inesquecível no papel de um homem talentoso e cheio de sentimentos que deseja morrer com dignidade.

Amenabar escreveu o roteiro em parceria com Mateo Gill, e, com um pouco de ajuda de Carlos Nunez, também criou a música. O resultado é um filme ao mesmo tempo poético e profundo.

Baseado em fatos reais, Amenabar mostra como um homem vigoroso e com gosto pela aventura se torna quase totalmente incapacitado. O diretor apresenta argumentos convincentes em favor da idéia de que essa impotência lhe nega a possibilidade de levar uma vida digna, tornando-o totalmente dependente de sua família devotada.

Bardem ganha aparência envelhecida e incapacitada não apenas graças ao ótimo trabalho da maquiadora Jo Allen, mas também à extraordinária habilidade do ator em encarnar o personagem.

Seu sorriso constante mascara sua raiva e tristeza. Embora Ramón se irrite com seu sobrinho pequeno e tenha pouca paciência com visitas, ele continua a ser um homem amoroso e cheio de compaixão.

Na casa de seu irmão José (Celso Bugallo) ele tem acesso a computador, telefone e televisão, que ele controla com sua boca e um bastonete. Ramón está solicitando ao governo espanhol a permissão para cometer suicídio. Ele conta com a ajuda de uma organização que defende esse direito, e o grupo é representado pela vivaz Gene (Clara Segura).

Gene convoca uma advogada para defender a causa de Ramón. Esta é uma mulher bela e elegante chamada Júlia, representada por Belen Rueda. Júlia sofre de uma doença degenerativa, de modo que Ramón acredita que seu problema fará com que ela defenda sua causa com ainda mais convicção.

Outra pessoa que entra em sua vida é uma desconhecida chamada Rosa, representada por Lola Duenas, que o viu na televisão e se apaixona por ele.

Mas Ramón se apaixona por Julia, apesar de esta ser casada. Juntos, eles planejam publicar um livro de poemas que ele escreveu quando era mais jovem. Mas nada disso o demove de sua determinação em morrer.

Para um filme que vai levar o espectador às lágrimas, há momentos de muito humor. O filme é um libelo em favor da eutanásia, mas também apresenta o ponto de vista das pessoas que ficam para trás.


31/01/2013