UOL CinemaUOL Cinema
UOL BUSCA
65o. Festival de Veneza - 2008

06/10/2005 - 15h29
Falta humor popular a "O Coronel e o Lobisomem"; veja fotos e trailer

SÃO PAULO (Reuters) - Nos últimos anos, o diretor, roteirista e produtor Guel Arraes criou uma espécie de padrão de qualidade com seus filmes "O Auto da Compadecida" (2000) e "Lisbela e o Prisioneiro" (2003). "O Coronel e o Lobisomem", lançado em todo o país nesta sexta, é uma tentativa de continuar com essa proposta. Porém, aqueles que esperam um filme nos mesmos moldes dos anteriores irão se frustrar.

"O Coronel e o Lobisomem" repete o mesmo rigor técnico das outras produções de Arraes, mas a direção é do estreante Maurício Farias (da série de TV "Hilda Furacão", entre outras) resulta num filme arrastado e que se leva a sério demais em vez de assumir o humor popular.

O roteiro, assinado por Arraes, João Falcão e Jorge Furtado, é baseado no romance homônimo de José Cândido de Carvalho, adaptado para o cinema em 1979 e também para a TV, em 1982 e nos anos 1990 (esta última dirigido por Arraes).

A narração feita pelo Coronel Ponciano de Azeredo Furtado (Diogo Vilela) torna o filme redundante, ao repetir aquilo que se vê em imagens na tela.

O filme gira em torno de um julgamento no qual o Coronel tenta provar que seu amigo de infância, Pernambuco Nogueira (Selton Mello), é um lobisomem que o fez perder a sua fazenda. E os flashbacks vão surgindo para contar essa história.

Neto do Coronel Simeão (Othon Bastos), Ponciano foi criado junto com o amigo, que era filho de empregados. Depois de crescidos, o rapaz herda o título de coronel do avô e a fazenda Sobradinho. Nogueira ajuda o novo dono a administrar a propriedade. Mas é mandado embora quando surgem rumores de que é um lobisomem e aterroriza as redondezas.

Mais tarde, Nogueira retorna, agora casado com Esmeraldina (Ana Paula Arósio), prima e antiga paixão de Ponciano. Com suas tramóias, o administrador faz com que o coronel hipoteque sua fazenda e acaba ficando com a propriedade. Por isso Ponciano o leva para o tribunal, para tentar recuperá-la, provando que o ex-amigo é um lobisomem.

Vilela, um grande comediante, não encontra o tom certo de seu personagem. Os únicos respiros cômicos acontecem quando estão em cena Pedro Paulo Rangel (como uma espécie de fiel escudeiro do coronel) e Andréa Beltrão e Francisco Milani (em seu último trabalho),repetindo a parceria da série "Armação Ilimitada", como uma possível pretendente para Ponciano e seu pai viciado em brigas de galos

Segundo a produtora Paula Lavigne, os efeitos especiais só foram possíveis graças a uma parceria que propiciou aos técnicos fazer um curso nos EUA para criar o lobisomem na tela. Mas o resultado final deixou a desejar -- até porque, quando a criatura aparece, a cena é escura e rápida.

A trilha sonora é assinada por Milton Nascimento e Caetano Veloso.

(Alysson Oliveira, do Cineweb, especial para a Reuters)


09/02/2010