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13/10/2005 - 18h28
Spike Lee fará documentário sobre Nova Orleans pós-Katrina

Por Richard Satran

NOVA YORK (Reuters) - Nunca distante do olho do furacão, o autodenominado cineasta "provocador" Spike Lee vai a Nova Orleans para rodar um documentário sobre o choque entre raça e política após a passagem do furacão Katrina pela região.

O diretor diz que vai usar "jornalismo factual, e não narrativa ficcional" no olhar que pretende lançar sobre o Katrina e Nova Orleans, transformada em ponto de união de ativistas políticos negros e teóricos da conspiração.

Em meio a críticas de que o governo do presidente norte-americano, George W. Bush, demorou a reagir ao furacão (deixando milhares de negros e pobres ilhados em meio à violência, numa situação em que não havia lei nem ordem), o líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sugeriu que os diques de Nova Orleans teriam sido rompidos como meio "de livrar-se dos pobres."

O ativista Jesse Jackson comparou o centro de convenções de Nova Orleans, onde se reuniram pessoas que fugiram da inundação, ao "porão de um navio negreiro".

Em entrevista à Reuters, Spike Lee comentou: "Quando se trata do governo dos EUA e as pessoas de cor, não excluo nenhuma possibilidade. Há história demais... que vêm desde o incidente em que o Exército norte-americano deu a indígenas cobertores contaminados com varíola".

Lee assistiu à cobertura televisiva da passagem do Katrina quando estava em Veneza em um festival de cinema. Ele ficou grudado à televisão.

"Pensei comigo mesmo: 'Tenho que encontrar um ângulo, e, se o encontrar, tenho que fazer alguma coisa"', disse o diretor.

Spike Lee comparou a situação de Nova Orleans com o filme "Chinatown", de 1974, que começa como uma simples história policial ambientada em Los Angeles em 1933, mas acaba se transformando numa história sobre corrupção e cobiça em altos escalões.

"Pensei automaticamente em 'Chinatown', esse grande filme de Roman Polanski. A subtrama do filme gira em torno do fornecimento de água no sul da Califórnia, como ela não era fornecida às pessoas que precisavam dela."

O documentário de Spike Lee será produzido pelo canal a cabo HBO, da Time Warner, e ele quer que o filme fique pronto para o primeiro aniversário da passagem do Katrina.

Realizador de 18 filmes em mais de duas décadas, Lee sempre tratou de temas polêmicos como brutalidade policial, racismo, nacionalismo negro e sexo entre pessoas de raças diferentes.

Em seu novo livro, "That's My Story and I'm Sticking To It", escrito pelo britânico Kaleem Aftab a partir de seus depoimentos, Spike Lee descreve o "sangue, suor e lágrimas" necessários para transformar esses tópicos em filmes.

"Não gosto do termo 'controverso"', disse. "Gosto de 'provocador'."


09/02/2010