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12/01/2006 - 14h49
Documentário resgata história do clássico "Soy Cuba"; veja fotos e trailer da estréia

SÃO PAULO (Reuters) - Estudante de cinema em Cuba nos anos 1980, o carioca Vicente Ferraz teve ali seu primeiro contato com um filme famoso, mas pouco visto, "Soy Cuba" (1964), do russo Mikhail Kalatosov. Apaixonado pelo que viu, Ferraz decidiu resgatar a história do filme, que se tornou maldito nos dois países que o produziram, Cuba e a antiga União Soviética.

O resultado está no documentário "Soy Cuba -- O Mamute Siberiano", que marca a estréia de Ferraz e foi destaque no Festival de Sundance, além de ter sido premiado nos festivais de Chicago, Guadalajara e Gramado, em 2005. Sua estréia está prevista para sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Pouco antes de Ferraz iniciar seu filme, em 2004, os cineastas norte-americanos Martin Scorsese e Francis Ford Coppola descobriram a obra de Kalatosov numa retrospectiva do diretor russo nos Estados Unidos.

Os dois diretores decidiram então batalhar pela restauração e pelo relançamento mundial de "Soy Cuba", que saiu também em DVD. No Brasil, o filme foi lançado por dois selos diferentes.

Superprodução que deveria funcionar como propaganda socialista no auge da Guerra Fria, "Soy Cuba" foi pouco exibido nos cinemas cubanos e soviéticos por não ter agradado seus produtores.

Logo depois de ter sido lançado em Cuba, a cópia foi direto para o arquivo do Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica. Por sorte, os negativos foram bem conservados, servindo de base para o documentário de Ferraz.

FILMANDO UM ENTERRO O diretor brasileiro incluiu em seu filme diversos trechos de "Soy Cuba", como o plano-sequência de um enterro que abre o documentário. A cena foi uma das que mais impressionaram Scorsese, que chegou a telefonar ao câmera do filme original, Aleksandr Kaltsastyj, dizendo-lhe que "não podia morrer" sem saber como ela fora feita.

O segredo: a câmera foi acoplada por meio de um ímã a um pequeno teleférico instalado na parte superior de alguns prédios de Havana, dando a sensação de que está "voando" sobre o cortejo fúnebre.

O diretor brasileiro reconta a história do filme por meio de depoimentos de atores e técnicos sobreviventes, como o co-roteirista Enrique Pineda Barnet e o citado câmera Kaltsastyj.

Desse modo, fica-se sabendo que o diretor russo não foi escolhido para liderar o projeto por acaso. Era um cineasta importante dentro e fora de seu país, premiado com a Palma de Ouro em Cannes em 1957, com o filme "Quando Voam as Cegonhas".

Esse currículo o habilitou a produzir não apenas um filme, mas o símbolo da aliança entre Cuba e URSS, pouco depois do rompimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a ilha de Fidel.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)


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