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23/03/2006 - 15h28
"O Plano Perfeito" é thriller de peso de Spike Lee; veja fotos e trailer da estréia

Por Kirk Honeycutt

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) - "O Plano Perfeito", que estréia nesta sexta-feira, é o título sem graça de um thriller de peso, que também é o filme mais comercial que Spike Lee já dirigiu.

Tudo dá certo na fita. Tem um elenco sólido com Denzel Washington, Clive Owen e Jodie Foster; um roteiro cuidadoso e atento assinado por Russell Gewirtz; e uma produção lindamente calibrada para sua história e estrelas.

Esse é o filão que todo diretor de ação e suspense procura e Lee, que não costuma trabalhar com esse gênero, saiu-se muito bem na empreitada.

As bilheterias devem ser fortes, mas podem ser ainda mais rentáveis se o marketing e a campanha promocional da Universal conseguirem convencer um amplo grupo de espectadores de que esse é o filme que eles querem ver.

"O Plano Perfeito" usa um material tão familiar que chega a ser trivial -- um roubo de banco, um impasse com reféns e corrupção ao estilo de Nova York, elementos que trazem um brilho nostálgico dos anos 1970 -, só para virar tudo pelo avesso, a fim de que o filme realmente termine dizendo algo sobre a cultura norte-americana em 2006.

Sem forçar demais, o filme é o anti-"Crash -- No Limite". Não que "O Plano Perfeito" esteja isento das tensões raciais e dos flashes ocasionais de preconceito, mas termina por abarcar a enorme diversidade étnica e cultural que forma Nova York e, por extensão, a América.

A trama é tão familiar que Lee e Gewirtz realmente passam correndo por ela. Quatro bandidos -- Ok, trata-se realmente de três caras e uma garota -- atacam uma filial bancária em Manhattan disfarçados de pintores. Eles mantêm cerca de 50 pessoas reféns. A polícia de NY se reúne. Os negociadores de reféns Keith Frazier (Washington), que está sendo investigado por um escândalo de corrupção, e seu parceiro Bill Mitchell (Chiwetel Ejoifor) chegam no local, junto com o capitão da Unidade de Serviços de Emergência, John Darius (Willem Dafoe). O cerco começa.

O problema é que nada sai como esperado -- seja para um roubo a banco ou para um filme de roubo a banco. O chefe dos bandidos, Dalton Russell (Clive Owen), é um personagem pelo menos tão antigo quanto o vilão interpretado por Alan Rickman em "Duro de Matar", mas esse sujeito é de certa forma diferente: estranhamento frio e calmo, ele está totalmente no controle da situação enquanto se mantém um passo a frente de Frazier durante todo o tempo. Seu bando consegue desligar as câmeras de circuito fechado do banco, e então obriga os reféns a usarem disfarces com roupas e máscaras para que a polícia não possa saber a diferença entre quem é vítima e quem é sequestrador.

Há outro elemento desconcertante: o presidente da diretoria do banco Arthur Case (Christopher Plummer) está claramente mais preocupado com certos itens no cofre do que na vida dos reféns. Ele então contrata a amoral Madeline White (Foster) para lidar com as delicadas negociações com o prefeito de Nova York, Frazier e com o cabeça dos reféns para proteger seus "interesses."

Apesar de toda a tensão crescente, lindamente orquestrada por Lee, Gewirtz deixa muitos buracos na história. Isso significa que há espaço de sobre para desenvolver mais tarde personagens ou temas. No fim, essas lacunas terminam sendo mais do que meros buracos. Há uma agenda dentro dessa trama intricada e esperta.

Ajudando Lee, cuja direção nunca foi mais astuta, estão o desenhista Wynn Thomas, que mantém um sentimento claustrofóbico quase que dilatável; o cinegrafista Matthew Libatique, que coloca na tela tons sombrios e saturados que dão a aparência de irrealidade; e a trilha sonora de Terence Blanchard, que é quase um personagem.


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