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06/04/2006 - 16h50
Terroristas viram super-heróis em "V de Vingança"; veja fotos, trailer e saiba mais sobre o filme

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) - O filme "V de Vingança", embora baseado em uma história em quadrinhos, não se trata de um trabalho altamente estilizado como os que falam sobre super-heróis. Aliás, nem mesmo os super-heróis são convencionais, já que se tratam de terroristas.

O visual do filme se recusa a escapar do mundo real, apesar de se passar em uma Londres do futuro, onde o governo liderado por Sutler (John Hurt) tolera ruas repletas de imagens nazistas.

Pelos diálogos, o espectador fica sabendo sobre o passado recente, quando "a guerra da América ficou cada vez pior, e chegou a Londres".

Os dissidentes são tratados como se estivessem em uma ditadura, e nosso herói (que se chama de V) dá lições aos cidadãos que entregaram suas liberdades a um governo na promessa de protegê-los do terrorismo.

Como V, Hugo Weaving tem a missão nem um pouco invejável de passar o filme todo por trás de uma máscara imóvel. Ele consegue se sair bem do desafio, dando vida ao personagem com a linguagem corporal e sua voz sonoramente viva.

V tem uma queda por atos dramáticos. Ele se apresenta aos londrinos no Dia de Guy Fawkes com fogos de artifício e uma bomba simbólica, e então "sequestra" uma emissora de televisão para anunciar que voltará daqui a um ano para destruir o Parlamento.

V dá a entender que os cidadãos que se sentem oprimidos por seus governantes devem se juntar a ele. E aí ele parte, deixando para trás muitos políticos ansiosos.

A visão do espectador aqui é de Evey (Natalie Portman), que sem querer se torna parte dos planos de V. E se ela no fim acaba concordando com o modo de V pensar, o filme com certeza não apresenta a escolha como algo descomplicado.

Andy e Larry Wachowski, ambos da trilogia "Matrix", assinam o roteiro, enquanto James McTeigue fez a direção. Os três estão claramente do lado de V, mas dão aos espectadores espaço para questionar seus motivos e métodos.

Ele teria programado psicologicamente Evey? Londres estaria prestes a se tornar uma zona de guerra simplesmente porque V sente um rancor pessoal?

Embora alguns materiais promocionais do filme tentem vender a obra como um longa de ação, quem for ao cinema esperando fortes emoções pode ficar desapontado. A história está mais ocupada com o mistério e a intriga.

E, felizmente, a trama está quase que inteiramente livre da pomposidade vazia que contagiou os dois últimos filmes da série "Matrix", dos Wachowski.

Aqui, a HQ de Alan Moore e a história de governos opressores do mundo real são mais do que suficientes, fazendo com que os roteiristas não precisem inventar mitologias sentimentalóides e deixando bastante espaço para fantasias sobre a revolução.



31/01/2013