UOL CinemaUOL Cinema
UOL BUSCA
65o. Festival de Veneza - 2008

18/05/2006 - 18h14
Filme faz declaração de amor a Paris em tempos problemáticos

Por Kerstin Gehmlich

CANNES (Reuters) - O que têm em comum uma vampira apaixonada, um palhaço melancólico, um turista americano ligeiramente obeso e um guarda noturno de estacionamento com pouco dinheiro? Todos estão apaixonados em Paris. E por Paris, naturalmente.

Em episódios curtos, cada um dos quais acontece num bairro diferente da cidade, o filme "Paris, je t'aime" ("Paris, eu te amo") conta histórias de amor engraçadas, tristes e às vezes surreais de casais que vivem nas partes belas e feias da capital francesa.

Com a participação de atores como Nick Nolte, Natalie Portman e Steve Buscemi, a homenagem feita à "cidade luz" foi muito aplaudida no Festival de Cinema de Cannes, esta semana, onde está sendo exibida dentro da seção "Un Certain Regard" ("Um Certo Olhar")

Mas o filme também chegou num momento bem-vindo para Paris, onde, nos últimos meses, os tumultos na periferia e os protestos de rua, às vezes violentos, vêm roubando a atenção de mídia antes voltada às aclamadas belezas arquitetônicas parisienses, levando ministros a avisar que a imagem de Paris pode ser prejudicada.

Conhecido por seu papel protagonista na trilogia "O Senhor dos Anéis", o ator Elijah Wood disse à Reuters que o filme pode ajudar a promover uma imagem mais positiva de Paris.

"Acho que é um grande cartão postal com mensagem de amor pela cidade", disse o ator, que, no filme, representa um mochileiro que conhece uma vampira.

MULHERES "ENJOADAS"

Nick Nolte, que protagoniza um episódio dirigido por Alfonso Cuaron, disse que Paris é a cidade do romance, mas que isso não garante a ninguém sucesso imediato com as parisienses.

"As mulheres parisienses são muito, muito 'enjoadas' (exigentes)", disse ele.

Criado por vários diretores, incluindo Joel e Ethan Coen, o filme mistura a cenas do centro histórico de Paris com imagens mais soturnas dos bairros mais pobres da cidade.

A mensagem que interliga as diferentes partes é que o amor pode chegar a qualquer pessoa, em qualquer lugar -- como por exemplo um motorista que conhece seu grande amor enquanto procura um lugar para estacionar nas ruas íngremes de Montmartre, ou uma atriz americana (Natalie Portman) que chama a atenção de seu vizinho quando ensaia uma cena de violência.

No episódio dirigido pelos irmãos Coen, um turista americano atônito (Steve Buscemi) descobre, num encontro violento, que o sorriso de Mona Lisa pode parecer irônico, quando se tem azar.

Outros episódios são ambientados em bairros pobres da periferia --um labirinto de edifícios, semelhantes às regiões nas quais jovens enfurecidos com o desemprego e a discriminação incendiaram milhares de carros em novembro passado.

A atriz francesa Juliette Binoche, que tem um encontro misterioso com um caubói a cavalo no centro de Paris, disse que se encantou com a diversidade de visões mostrada no filme.

"Sempre adorei a diversidade e adorei viajar, então quando temos viajantes vindo para o lugar onde nascemos, isso é muito bonito", disse ela à Reuters. "Acho que quanto maior o intercâmbio, melhor."

As histórias variam de ambientes banais a histórias oníricas. Alguns dos diálogos também assumem tons surreais.

"Posso massagear seus pés?", pergunta um desempregado à paramédica que cuida de seu ferimento quando ele leva uma facada. "Por que eu lhe deixaria fazer isso?", ela responde. "Porque estão doendo. Você passou a noite inteira correndo de um lado a outro nos meus sonhos", responde o rapaz.


07/11/2009