Por Bob Tourtellotte
LOS ANGELES, EUA (Reuters) - Caia na real. Michael Mann leva seu "Miami Vice" aos cinemas dos EUA, na sexta-feira. O diretor promete apresentar um filme cheio de realismo e recheado com um tipo de violência crua e de cenas picantes, nunca antes vistos na série de sucesso de TV dos anos 80.
Sim, "Miami Vice" está de volta, junto com os detetives Ricardo Tubbs e Sonny Crockett, mas não com a atitude displicente dos atores Philip Michael Thomas (Tubbs) e Don Johnson (Crockett).
No lugar deles estréiam os tipos taciturnos de Jamie Foxx (Tubbs) e Colin Farrell (Crockett). Essa nova dupla raramente faz uma piada, já que parece mais preocupada com pegar os caras maus e levar as boas garotas para cama.
"Não tinha qualquer interesse em fazer uma cópia (da série) ou uma viagem nostálgica rumo à primeira produção", afirmou à Reuters, Mann, que participou da criação da série.
"Na qualidade de diretor, tinha de decidir: 'Desejo que o público fique tropeçando em associações nostálgicas ou desejo que ele sinta-se imerso no mundo contemporâneo?' Escolhi a última das opções", acrescentou.
Apesar de os produtores terem em mira as pessoas que se lembram da série de TV, Mann disse que os únicos elementos compartilhados pela produção televisiva e pelo filme são um enredo ágil e um mundo sedutor no qual circulam traficantes e tiras corruptos, um mundo chamado Miami.
Com mais de 30 anos de experiência em Hollywood, Mann, que é escritor, produtor e diretor, inclui entre suas especialidades dar a seus filmes um sentimento de realismo raro no caso de outros cinegrafistas.
Mann, 63, começou nos anos 70, escrevendo para programas policiais como "Police Story" (história de polícia) e "Starsky e Hutch". Em 1984, ele produziu o sucesso "Miami Vice", que se transformou em um fenômeno da cultura pop, influenciando outros programas de TV, filmes, a música e a moda.
O hoje diretor começou como escritor de roteiros para a TV, mas disse que sempre quis fazer filmes. Nos anos 90, ele colocou nos cinemas histórias cheias de suspense como "Fogo contra Fogo", estrelando Robert De Niro e Al Pacino, e "O Informante", com Russell Crowe.
MIAMI, AOS OLHOS DE MANN
Mann afirmou que sempre imaginou o roteiro da série "Miami Vice" como um filme. Mas, quando o leu, as redes de TV já tinham entrado em ação.
Faz cerca de quatro anos que a Foxx contatou Mann para falar a respeito de uma nova produção, e o diretor/escritor viu-se finalmente diante da chance de criar o filme que sempre desejou.
"O 'Miami Vice' que eu queria ver é um filme com agentes disfarçados, que mostre a vida naqueles lugares perigosos, algo real", afirmou.
"Isso significa que o filme terá relacionamentos, relacionamentos humanos reais. As pessoas dormem juntas. E os que se envolvem com esse tipo de trabalho acabam em situações perigosas, em locais perigosos, e coisas ruins acontecem."
O filme "Miami Vice" não leva o público para uma jornada com um clímax, mas antes o atira dentro de uma história ágil e cheia de bandidos assassinos e traficantes de drogas.
Tubbs e Crockett vêem um de seus principais informantes ser morto depois de fracassar uma operação secreta do FBI.
Os dois então, para prender os assassinos, fingem ser traficantes e acabam sendo tragados para dentro de uma gangue de fabricantes de drogas liderada por Montoya (Luis Tosar) e seu braço direito, Isabella (Gong Li).
Crockett apaixona-se por Isabella ao mesmo tempo em que a nova identidade de Tubbs coloca em perigo a vida de sua namorada, Trudy (Naomie Harris), ela também uma policial de Miami.
Os dois protagonistas entram em choque, mas mostram-se resolvidos a prender Montoya. Permeando tudo isso -- como era de se esperar no caso de um filme a respeito de Miami -- há carros transados, barcos velozes, aviões ainda mais velozes e corpos esculturais.
Para aumentar o realismo do filme, os atores treinaram com armas e trabalharam com policiais disfarçados. Os dois participaram de simulações de compra de drogas, e Farrell até acompanhou uma operação fracassada que ele pensava ser real.