
|
23/08/2006 - 17h23
Demissão de Tom Cruise reflete nova era em Hollywood

Rocío Ayuso Los Angeles, 23 ago (EFE).- Hollywood examina hoje a situação criada após a confirmação da demissão do ator Tom Cruise da Paramount, sinal aparente de que os estúdios estão cansados do comportamento excêntrico de suas estrelas e de seus salários milionários.
Summer Redstone, presidente dos estúdios Paramount, afirmou hoje ao "The Wall Street Journal" que os 14 anos de relação entre sua companhia e a produtora da estrela, Cruise/Wagner, chegaram ao fim.
"Seu comportamento recente é inaceitável", afirmou Redstone, que aos 84 anos é dono do terceiro maior conglomerado midiático do país.
Suas palavras põem fim a uma frutífera parceria entre o estúdio e Cruise, que produziu quatorze filmes (nem todos para a Paramount) e proporcionou mais lucros à empresa do que qualquer outro.
Os custos da Paramount com o ator superam os US$ 10 milhões por ano, quatro vezes mais do que os acordos de produção com outras estrelas como Tom Hanks, Brad Pitt e Johnny Depp.
O fim da parceria entre Cruise e a Paramount já era esperado, diante dos recentes cortes financeiros de Hollywood. A forma como isso se deu, entretanto, surpreendeu a indústria, com o presidente do estúdio criticando uma das maiores estrelas do mundo do cinema.
Fontes não identificadas afirmam que Redstone culpa Cruise pelos péssimos resultados de seu último filme, "Missão Impossível 3". A produção, com um custo de US$ 150 milhões e um acordo que dava a Cruise uma percentagem na receita das bilheterias, arrecadou apenas US$ 133 milhões nos Estados Unidos e não chegou aos US$ 400 milhões no mundo todo.
Segundo os analistas, o número está entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões abaixo do esperado.
Cruise está cada vez mais atuante na defesa da cientologia - religião a qual pertence desde 1990- e chegou a instalar tendas informativas nos sets de suas últimas filmagens para atrair adeptos.
Além disso, suas extravagantes declarações de amor a Katie Holmes, mãe de sua primeira filha biológica, Suri - incomuns em uma estrela que até então resguardava zelosamente sua vida privada -, também contribuíram para diminuir sua popularidade.
A revista "Forbes", entretanto, ainda o põe à frente da lista dos mais poderosos de Hollywood este ano.
Cruise não é a única estrela a sentir a ira de Hollywood.
Mel Gibson foi ameaçado por alguns dos principais donos de estúdio dos Estados Unidos, por seu comportamento supostamente racista e machista ao ser detido quando dirigia bêbado.
Lindsay Lohan, a jovem estrela conhecida por seu comportamento difícil, também recebeu em julho uma carta de reprimenda dos estúdios Morgan Creek, por "comportar-se como uma menina mimada" durante a filmagem de "Georgia Rule".
E Jim Carrey, primeiro ator a superar a casa dos US$ 20 milhões por filme, teve seus dois próximos projetos cancelados, diante do fracasso de suas últimas estréias.
"Hollywood percebeu que seus filmes de maior bilheteria dos últimos anos não são os que contam com suas maiores estrelas", diz o analista Gitesh Pandya.
Paula Wagner, sócia de Cruise, afirmou hoje que os comentários de Redstone são "pouco profissionais" e deu outra versão para a "demissão".
Segundo ela, a Cruise/Wagner havia decidido, há uma semana e meia, se estabelecer como companhia independente, após o fracasso de suas negociações com a Paramount.
Segundo declarou ao jornal "Los Angeles Times", a empresa já conta com uma linha de crédito independente. Wagner não deu mais detalhes sobre os próximos trabalhos de Cruise.
|
|