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27/11/2006 - 18h29
Ator Jece Valadão morre aos 76 anos em São Paulo
Da Redação

Reprodução TV

Jece Valadão em entrevista no estúdio da TV UOL (fev./2006)

Jece Valadão em entrevista no estúdio da TV UOL (fev./2006)

O ator Jece Valadão morreu nesta segunda-feira, aos 76 anos, vítima de arritmia cardíaca em conseqüência de problemas renais. Ele estava internado no hospital Panamericano, em São Paulo, desde o dia 21 de novembro. Valadão foi casado com a atriz Vera Gimenez e era pai do ator Marco Antônio Gimenez, que faz o papel de Urubu na série "Malhação".

O ator nasceu em Murundu, no Estado do Rio, e criou-se em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Seu nome verdadeiro era Gecy Valadão. Iniciou carreira no teatro e no cinema antes de completar 20 anos, já no Rio de Janeiro, com participações em chanchadas como "Carnaval no Fogo". No fim dos anos 1950, fez parte do elenco das primeiras montagens de "Perdoa-me por me traíres" e "Os Sete Gatinhos", ambas de Nelson Rodrigues, então seu cunhado e que o considerava o ator perfeito para suas peças.

Valadão construiu como ator uma imagem de homem rude e machão. Associou-se voluntariamente à palavra "cafajeste" no plano pessoal. Trabalhou em mais de cem filmes, como ator, diretor e produtor. Teve participação decisiva na fase inicial do Cinema Novo, em filmes como "Rio 40 Graus", "Rio Zona Norte" e "O Boca de Ouro", todos dirigidos por Nelson Pereira dos Santos, e "Os Cafajestes", de Ruy Guerra. Ainda na década de 1960, atuou em "Asfalto Selvagem", "Bonitinha Mas Ordinária" (ambos inispirados em textos de Nelson Rodrigues), "Mineirinho Vivo ou Morto" e "Navalha na Carne".

Nos anos 1970, foi ator e sobretudo produtor de comédias e policiais eróticos. Em 1980, interpretou um pai-de-santo no último filme de Glauber Rocha, "A Idade da Terra". Também fez incursões pela direção, assinando, entre outros filmes, "As Sete Faces de um Cafajeste" (1969) e "Nós, os Canalhas" (1975).

O ator foi casado seis vezes e teve nove filhos. Em 1995, converteu-se à fé evangélica por influência de Vera Gimenez, de quem já estava separado. Por essa época Valadão mudou-se para São Paulo e passou dez anos em recolhimento intencional. Dizia-se arrependido por ter levado vida boêmia e ter sido um pai ausente.

Em 2005 publicou uma autobiografia, "Memórias de um Cafajeste". Voltou à TV no início deste ano como um bicheiro na série "Filhos do Carnaval" e em participações especiais em programas da Globo.Nos últimos meses estava envolvido num documentário sobre si mesmo ("O Evangelho Segundo Jece Valadão") e no filme que marca o retorno de José Mojica Marins ao cinema ("Encarnação do Demônio").
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