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01/02/2007 - 12h43
ESTRÉIA-Will Smith e filho estão em "À Procura da Felicidade"

Divulgação

Will e Jaden Christopher S. Smith

Will e Jaden Christopher S. Smith

Por Kirk Honeycutt

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) - Christopher Smith e seu pai, Will Smith, representam filho e pai em "À Procura da Felicidade", um filme sobre a responsabilidade de um pai para com seu filho e sua luta para não virar sem-teto.

O filme, que estréia nesta sexta-feira, tem uma performance sensível de Will Smith no papel de um homem -- baseado num personagem verídico -- que supera obstáculos tremendos para reivindicar seu direito a participar do sonho americano.

Se fosse um filme independente com uma visão nova da vida dos que estão por baixo no país mais rico do mundo, "Felicidade" teria tido boas chances de conquistar um prêmio no Festival de Sundance.

Em vez disso, porém, é uma grande produção de estúdio, tendo um astro famoso como protagonista e profissionais de primeiro nível em todas as partes da produção, de modo que o brilho deste filme bem feito faz até mesmo a vida dos sem-teto parecer bonitinha e ordeira. E "Felicidade" trai sua herança hollywoodiana ao inserir na história desnecessárias cenas de perseguição e sequências de suspense.

A história acontece em San Francisco, no início dos anos 1980. Chris Gardner (Will Smith) é um homem que corre sem parar apenas para conseguir ficar no mesmo lugar. Ele investiu o dinheiro da família numa máquina de tomografia óssea, mas então descobre que os médicos não estão muito interessados em adquirir o aparelho, o que o deixa praticamente quebrado.

Os Gardner estão com o aluguel atrasado dois meses, o carro foi apreendido devido ao grande número de tickets de estacionamento não pagos, e a Receita Federal está cobrando impostos atrasados.

A amarga e frustrada mulher de Chris, Linda (Thandie Newton, num papel que não nos leva a gostar nada dela), é obrigada a trabalhar em turnos dobrados para conseguir pagar as contas. Numa sequência que deixa muita coisa sem explicar, Linda abandona a família e se muda para Nova York em busca de trabalho, deixando seu filho de 5 anos sozinho com o pai, que está sem um tostão. Fica claro que ela não está se candidatando ao título de Mãe do Ano.

À custa de muita astúcia e determinação, Chris consegue uma vaga como estagiário numa corretora de ações. Mas não receberá salário enquanto não conseguir o cargo de corretor, pelo qual precisa competir com mais de 20 outros estagiários.

Dentro de uma semana, ele e seu filho Christopher (representado pelo filho de Will Smith na vida real, Jaden Christopher Syre Smith), são despejados do apartamento. Num primeiro momento eles se mudam para um motel, enquanto Chris continua a vender seu estoque de aparelhos de tomografia. Mas a Receita Federal congela sua conta bancária, de modo que os dois se vêem na rua, dormindo em abrigos, vagões do metrô e até em um banheiro público.

O roteirista Steven Conrad e o diretor Gabriele Muccino fazem um bom trabalho de movimentação entre dois mundos que mal se reconhecem: a rua, onde risco, perdas e ganhos são questões de sobrevivência, e Wall Street, onde os mesmos fatores movem a competição darwiniana.

Em alguns momentos o filme tenta gerar melodrama artificial, como as cenas de perseguição de pessoas que roubam o aparelho médico de Chris. Essas cenas parecem intromissões indesejáveis na história real.

Muccino é italiano ("O Último Beijo" foi seu trabalho de estréia em inglês), mas é inútil esperar dele qualquer evidência de um olhar novo lançado sobre a sociedade americana.

Os detalhes de época da produção são sólidos, mas "À Procura da Felicidade" poderia ter sido feito por um sem-número de diretores de médios a bons de Hollywood. A direção fotográfica de Phedon Papamichael é agradavelmente direta, mas a música de Andrea Guerra descamba para o sentimentalismo.


31/01/2013