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01/02/2007 - 16h24
ESTRÉIA-"O Homem Duplo" se afunda em lengalenga verbal

Divulgação

Robert Downey e Keanu Reeves

Robert Downey e Keanu Reeves

Por Duane Byrge

CANNES (Hollywood Reporter) - "O Homem Duplo", que estréia nesta sexta-feira, foi feito com um processo minucioso de animação que exigiu até 500 horas de trabalho para criar um único minuto de filme na tela.

A sensação que tem quem o vê é que cada minuto de tempo na tela devolve toda essa dor ao espectador.

O lado positivo é que o filme poderá chamar a atenção do público para o romance original de Philip K. Dick, no qual é baseado, para ver exatamente o que foi que levou os profissionais talentosos responsáveis por "O Homem Duplo" a perpetrar essa adaptação.

Philip K. Dick combateu os demônios da dependência de drogas durante toda sua vida criativa, e o trabalho sobre o qual se baseia o filme, "A Scanner Darkly", é um de seus livros mais vendidos. Ambientado no futuro próximo, como é de costume no autor, a história gira em torno da luta institucional contra a dependência de drogas. Um policial à paisana recebe o encargo de espionar seus amigos, e então, depois de várias voltas tortuosas da trama, o espionar a si mesmo.

A história é uma trama complexa que envolve questões como dependência, vigilância, paranóia e direitos pessoais. Infelizmente, o diretor Richard Linklater se deixa atolar nas grandes reflexões filosóficas do livro e recorre a explicações verbais, em lugar de dramatizações.

Assim, este filme animado não tem nada de animado em termos de movimentação -- é estático. Vemos cenas sucessivas de lengalenga verbal. Os personagens fazem discursos sentados em carros, sentados à mesa de jantar, sentados em salas, sentados diante de mesas de escritórios.

O assunto de toda essa verborréia é a devastação que uma droga chamada Substância D está perpetrando na cidade de Anaheim. Infelizmente, Linklater erra mais ainda ao permitir que os atores pequem por excessos de histrionismo.

A performance mais divertida é a de Robert Downey Jr. como amigo arrogante do policial à paisana. As outras atuações são mais moderadas, especialmente a de Keanu Reeve no papel do policial. A impressão que se tem é que ele faz uma imitação de Clint Eastwood nos primeiros filmes sobre o personagem Dirty Harry.

Em termos visuais, "O Homem Duplo" não é nada fantasmagórico, sendo pouco provável que inspire comparações com os grandes filmes de viagens mentais relacionados aos anos 1960.

As cores pastéis da fotografia parecem mais adequadas a sabonetes do que a algo que pretende captar a atenção do público de um filme. Embora evidenciem a habilidade e criatividade da equipe de animação, as cores e sombras de "O Homem Duplo" acabam fazendo com que os personagens da vida real mais pareçam esculturas de madeira.


27/11/2009