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26/02/2007 - 10h00
Mesmo com muitas indicações, hispânicos perdem Oscar nas grandes categorias

Reuters

Os diretores mexicanos Cuarón, González Iñarritu e Del Toro

Os diretores mexicanos Cuarón, González Iñarritu e Del Toro

Eliseo García Nieto
Los Angeles (EFE), 26 fev (EFE).- As quatro vitórias do cinema de
fala hispânica fizeram história na noite deste domigo na 79ª edição
do Oscar, mas deixaram um sabor agridoce, já que, das vinte
indicações às quais concorriam, nenhuma das vitórias veio nas
categorias consideradas "maiores".

Além disso, as premiações foram distribuídas de forma muito
desigual, pois, enquanto o hispano-mexicano "O Labirinto do Fauno",
de Guillermo del Toro, obteve três estatuetas (Melhor Direção de
Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Fotografia), "Babel" teve que se
conformar com apenas uma estatueta (Melhor Trilha Sonora), apesar de
concorrer a sete Oscar.

No entanto, os dois filmes perderam nas categorias mais
importantes, a de Melhor Filme Estrangeiro (em relação ao longa de
Del Toro), Melhor Filme e Melhor Diretor (relativos ao compatriota
Alejandro González Iñárritu).

Ambos tiveram que se conformar em assistir à vitória do longa
alemão "A Vida dos Outros", no primeiro caso, e de "Os Infiltrados"
e do diretor Martin Scorsese, no segundo.

Pior sorte teve ainda o mexicano Alfonso Cuarón, cujo filme
"Filhos da Esperança" não levou em nenhuma de suas três indicações.

Também faltou sorte aos hispânicos nas categorias de Melhor
Atriz, onde Penélope Cruz ("Volver") viu a vitória da favorita Helen
Mirren ("A Rainha"), e Melhor Curta-metragem, onde o americano "West
Bank Story" bateu os espanhóis "Binta y la gran idea" e "Éramos
Pocos".

No entanto, algumas das vitórias foram importantes, como o
segundo Oscar consecutivo para o argentino Gustavo Santaolla pela
trilha sonora de "Babel", e o ânimo geral tendia a se concentrar nos
êxitos alcançados.

"Não se pode ganhar tudo, e de seis indicações ganhamos a metade,
portanto acho que precisamos ficar felizes. Estou três vezes feliz",
disse o executivo-chefe do canal espanhol "Tele 5", Paolo Vasile. A
filial do canal, Estudios Picasso, co-produziu o longa "O Labirinto
do Fauno".

Del Toro "estava muito feliz", disse. Mas "não duvido que teria
gostado de ganhar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro", acrescentou
Vasile.

"A verdade é que esperávamos a premiação na categoria
estrangeira, mas estamos muito contentes de qualquer maneira", disse
a produtora mexicana Bertha Navarro, cuja empresa Tequila Gang
co-financiou "O Labirinto do Fauno".

"O filme é um sucesso de qualquer maneira, a concorrência foi
dura e estes meninos chegaram competindo com os grandes",
acrescentou a produtora, que transbordava de felicidade pelo vitória
do "irmão adorado", Guillermo Navarro, na categoria de Melhor
Fotografia.

Com "estes meninos", Navarro aludia ao compatriota Eugenio
Caballero e aos espanhóis Pilar Revuelta, David Martí e Montse Ribé,
que exultantes, embora cansados, posaram com seus Oscar para os
fotógrafos e televisões durante uma entrevista coletiva realizada
após a cerimônia.

"Estamos muito felizes", mas sem esquecer que "outros três
companheiros não levaram prêmios", ressaltou Ribé, que junto com seu
parceiro Martí exibia o Oscar de Melhor Maquiagem por "O Labirinto
do Fauno".

"Senti que (Del Toro) estava muito contente, mas sempre há um
sabor amargo (...), ele merecia o Oscar", reconheceu Caballero,
premiado com Revuelta por Melhor Direção de Arte do longa de Del
Toro.

No entanto, Caballero prefere ficar com a mensagem de que "este
triunfo é muito doce, porque abre brecha e é um triunfo para o
México e a Espanha".

"O importante é que não seja uma exceção, e que mais indicações
se repitam em outros anos", para o que o cineasta mexicano acredita
ser chave incentivar a co-produção entre os países de fala
hispânica, porque "é preciso somar talentos, isso ficou mais do que
demonstrado", disse.
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