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08/03/2007 - 11h23
"A Pele" mostra retrato imaginário de Diane Arbus

Divulgação

Nicole Kidman como Diane Arbus

Nicole Kidman como Diane Arbus

Por Kirk Honeycutt

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) - "A Pele" (cujo título original vem acrescido de "Um Retrato Imaginário de Diane Arbus") se anuncia como uma biografia por outros meios. Esse retrato da fotógrafa-artista Diane Arbus (1923-1971) é um conto de fadas que, como diz o subtítulo do filme, "inventa personagens e situações que vão além da realidade para expressar qual pode ter sido a experiência interior de Arbus".

O diretor Steven Shainberg e a roteirista Erin Cressida Wilson basearam seu filme na idéia muito superficial de que o célebre fascínio da fotógrafa por outsiders -- travestis, artistas de circo, portadores de anormalidades físicas ou psicológicas -- significa que o próprio filme "A Pele" precisa ser um show de esquisitices.

Nicole Kidman e Robert Downey Jr. têm atuações corajosas no filme, cujo andamento, porém, é arrastado e cansativo.

Shainberg e Wilson pegam os fatos que se conhecem acerca de Diane Arbus e, com eles, criam uma personagem fictícia do mesmo nome. Ela é a filha rica, obediente e reprimida de um abastado fabricante de roupas de pele em Nova York (Harris Yulin e Jane Alexander estão perfeitos nos papéis de seus pais esnobes).

Casada e com dois filhos, Diane alcançou sucesso no mundo da moda. Seu marido, Allan (Ty Burrell), é fotógrafo, e ela é sua stylist.

A chegada de um inquilino novo no apartamento no andar de cima atiça a curiosidade de Diane. À primeira vista, o novo inquilino parece o Homem Invisível de H.G. Wells, sempre envolto em casacão e chapéu e usando máscara no rosto.

Quando, um dia, ela se aventura a subir até o andar dele, descobre o porquê disso. Lionel Sweeney (Robert Downey) sofre de hipertricose, uma condição rara que significa que seu corpo inteiro é recoberto de pêlos. Essa é a primeira das brincadeiras do filme: a filha do peleiro encontra o homem peludo.

Fascinada, Diane praticamente abandona sua vida familiar para entrar no mundo do Homem Peludo. Este a leva para assistir a uma dominatrix recebendo um cliente e a festas com amigos esdrúxulos que trabalham em circos. Ela convida Lionel para jantar com sua família. Intuindo corretamente que o homem peludo é seu rival na disputa pela atenção de Diane, Allan deixa sua barba crescer.

O filme retrata o mundo semi-oculto e semiproibido de Lionel como uma espécie de sociedade secreta e superior, em que arte, imaginação e obsessões sombrias podem florescer livremente.

Nicole Kidman confere a Diane Arbus um ar assombrado, enquanto ela percorre esse mundo estranho. Nada aponta para o fato de que essa mulher iria cometer suicídio um dia. Já Robert Downey Jr., parecendo-se um pouco como o anti-herói peludo de Jean Marais em "A Bela e a Fera" (1946), de Jean Cocteau, rouba a cena com sua performance inteligente, baseada sobretudo em seus olhos e sua voz.

Mas "A Pele" é um tiro que saiu pela culatra, vindo das pessoas que quatro anos atrás lançaram "Secretária", filme cuja abordagem inovadora e irreverente teria sido bem-vinda se aplicada a este filme sobre Diane Arbus.


31/01/2013