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27/03/2007 - 10h07
Estréia do sangrento e violento "Grindhouse" preocupa Hollywood

Divulgação

Cena de Grindhouse

Cena de Grindhouse

Rocío Ayuso

Los Angeles (EUA), 27 mar (EFE).- Morte, sangue e muitas
vísceras... O novo longa-metragem de Robert Rodríguez e Quentin Tarantino, "Grindhouse", cuja pré-estréia estava prevista para a noite de segunda-feira nos Estados Unidos, abusa tanto da crueldade que Hollywood já teme uma regulamentação sobre a violência explícita nos filmes.

Não podia ser diferente, já que o filme evidencia duas carreiras
marcadas tanto pela qualidade como pela exagerada violência.
Títulos como "El Mariachi" e "Sin City", no caso de Rodríguez, e
"Pulp Fiction" e "Kill Bill", no de Tarantino, atestam a vertente
sangrenta dos dois roteiristas.

O novo trabalho dos dois cineastas, que traz duas histórias, revive o sabor das antigas sessões duplas de filmes B, mais lembradas pela violência gratuita do que pela profundidade de suas histórias.

Apesar de todo o estardalhaço, nenhum dos dois se desculpou pelas
intenções de um filme no qual, por exemplo, os genitais de Tarantino
se desintegram em uma sala, vítima de uma praga mortal que
transforma o produtor em um zumbi em "Planet Terror", o título da
história sob os cuidados de Rodríguez. Nem mesmo pelo fato de a perna da belíssima Sydney TamiliaPoitier (filha do ator Sydney Poitier) ser jogada pela janela de seu automóvel em "Death Proof", a parte do filme rodada por Tarantino.

"'Grindhouse' é uma homenagem aos filmes que amo há décadas e que
no geral passaram despercebidos e foram esquecidos", comentou
Tarantino em um comunicado antes da pré-estréia.

No entanto, o filme chega em um momento que não tem passado
despercebido por Hollywood nem por aqueles que, dentro da esfera
política, se preocupam com a moral das produções e seu impacto nos
mais jovens.

Safra de horrores

"Grindhouse", que traz um festival de sangue, será distribuído
por todos os EUA a partir de 6 de abril e dificilmente encontrará
concorrência entre as produções do gênero.

Atualmente, os cartazes espalhados por Los Angeles são
testemunhas mudas dos caldeirões de sangue que Hollywood está
disposta a derrubar sobre seus espectadores nas próximas semanas.

Uma das campanhas mais fortes é a de "A Colheita do Mal", filme
de suspense sobrenatural que traz entre suas pragas demoníacas um
rio transformado em sangue.

Também na atual temporada nos cinemas americanos estão "O Retorno dos Malditos", que mostra um brutal massacre de soldados por mutantes de um deserto, "Dead Silence", sobre um boneco assassino, e "A Estranha Perfeita", que traz uma figura ameaçadora.

A profusão de filmes de terror já é normal nesta época do ano nos
EUA. Na primavera e no outono americanos, os cinemas são tingidos de
vermelho para matar o tempo e dividir os lucros com as grandes
superproduções lançadas no verão ou com os aspirantes ao Oscar que
só estrearão perto do fim do ano.

No entanto, o número de filmes de terror na atual temporada
impressiona e motivou o primeiro relatório feito desde 2000 por uma
comissão governamental sobre a violência no cinema, na música e nos
videogames.

Há sete anos, os apelos e o controle governamental cederam a
favor de auto-regulações dentro da indústria cinematográfica.

Agora, o novo documento chega em um momento mais delicado, dada a
proximidade das eleições e o crescimento do gênero.

Artistas se defendem

Segundo comentaristas, nestes sete anos, o crescimento dos
"thrillers" atingiu marcas expressivas, após sucessos como "Jogos
Mortais", de 2004, e "O Albergue", de 2005.

Uma das razões que explicam o grande potencial do gênero é o
baixo custo de produção dos filmes, sem estrelas nem grandes efeitos
especiais, mas capazes de levar grande número de pessoas aos cinemas.

Para o sucesso absoluto, são necessárias apenas quantidades
monumentais de sangue, vísceras e uma montagem impactante capaz de fazer pular da poltrona os adolescentes, público que,
majoritariamente, lota as salas de exibição.

À espera dos resultados do relatório, inúmeras celebridades
rebatem as críticas mais conservadoras.

Hilary Swank, duas vezes ganhadora do Oscar de melhor atriz e
protagonista de "A Colheita do Mal", se preocupou em deixar claro
que seu filme não é de terror, mas, sim, um "thriller sobrenatural".

Já a equipe de "Grindhouse" se distancia da brutalidade realista
de outros filmes descrevendo sua violência como "surreal",
"grotesca" e dirigida a um público que a entenderá "em uma única
sacada".

No entanto, os produtores do novo longa não especificaram o
porquê da presença em "Grindhouse" de trailers de filmes ainda
inéditos, rodados por Eli Roth e Rob Zombie, autores de "O Albergue"
e do próximo "Halloween", respectivamente.
Mais
Assista a onze clipes de "Grindhouse", filme de Tarantino e Rodriguez


04/07/2009