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06/06/2007 - 12h23
"Infância Roubada" conta história de redenção na África

Divulgação

Cena de Infância Roubada

Cena de Infância Roubada

SÃO PAULO (Reuters) - É pouco provável que o drama sul-africano "Infância Roubada", de Gavin Hood, que estréia nesta quinta-feira em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e em Belo Horizonte, fosse lançado em cinemas brasileiros se não tivesse vencido o Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado.

Mas o fato de "Infância Roubada" -- que bateu o favorito "Paradise Now", da Palestina -- ter levado o prêmio não causa estranheza. Afinal, o filme tem muitas das características que costumam impressionar os votantes, traz um tema social e a redenção no final. Nenhum desses fatores, no entanto, eleva o drama a um patamar melhor, pelo contrário.

Um bebê aparece para mudar a vida do protagonista, David (Presley Chweneyagae), mais conhecido como Tsotsi, que significa "ladrão" na linguagem do gueto.

O jovem é o líder de uma gangue que tenta esquecer o seu passado. Por ter se tornado órfão muito cedo, o garoto teve de enfrentar uma série de problemas que o transformaram num fora-da-lei endurecido.

A sua relação com as outras pessoas, mesmo os membros de sua gangue, sempre é tensa. Tsotsi parece desprovido de sentimentos, é como um autômato preocupado apenas com sua sobrevivência e em amedrontar os demais. Isso muda no momento em que atira em uma mulher e rouba um carro sem saber que há um bebê no banco de trás.

Essa figura será responsável por despertar novos sentimentos em Tsotsi. A vida do rapaz sempre foi construída em cima de medos e necessidades, o que o transformou numa pessoa violenta. A chegada da criança quebra esse ciclo -- não porque o protagonista se regenere, mas porque não terá mais tempo para nada a não ser cuidar do bebê.

"Infância Roubada" é baseado num livro de Athol Fugard, já publicado no Brasil. A obra foi escrita na década de 1960 mas só foi publicada em 1980, quando a África do Sul ainda vivia sob o regime do apartheid. O filme mostra que pouca coisa mudou naquele país ao longo dessas últimas décadas.

No entanto, a forma ingênua com que se conduz "Infância Roubada" diminui a sua força. No filme, tudo se resolve muito facilmente, bem diferentemente da vida real. No fim, segue a fórmula sentimental de produtos hollywoodianos sobre personagens que encontram redenção, o que explica facilmente sua premiação no Oscar.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)


31/01/2013