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06/06/2007 - 17h24
"Caparaó" conta história de guerrilha contra ditadura

Divulgação

Cena do documentário Caparaó

Cena do documentário Caparaó

SÃO PAULO (Reuters) - Quarenta anos após sua derrota, em 1º de abril de 1967, a tentativa de um movimento de guerrilha na Serra do Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e o Espírito Santo, é tema do documentário de Flavio Frederico que entra em circuito nesta quinta-feira em seis capitais do país.

"Caparaó", que estará em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre, por causa da projeção em formato digital, foi o vencedor da competição brasileira do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade em 2006.

O movimento, pouco tratado em livros e filmes, foi a primeira tentativa de luta armada contra o regime militar de 1964. Começou em agosto de 1966, formado por um grupo de ex-militares expurgados pelo governo.

O comando, porém, era externo. Vinha do ex-governador gaúcho Leonel Brizola, seu articulador a partir do exílio em que se encontrava no Uruguai, tendo como intermediário o ex-deputado Neiva Moreira.

No princípio, vieram recursos financeiros de Cuba, pois Fidel Castro via com simpatia a tentativa de derrubada da ditadura brasileira.

Com base nesse apoio, um grupo de aproximadamente 20 guerrilheiros instalou-se num esconderijo na serra do Caparaó, onde acreditavam estar mais a salvo de espionagem. Ali, por oito meses, dedicaram-se a intensivo treinamento militar. Esperavam uma ordem de entrada em ação que nunca veio. Fidel Castro preferiu apoiar outras tentativas de insurreição, como a liderada por Carlos Marighella.

Isolados, os guerrilheiros de Caparaó já entravam em conflitos internos e passavam fome quando foram surpreendidos pela Polícia Militar de Minas Gerais, que os cercou em abril de 1967. Um grupo de quatro guerrilheiros do Movimento Nacionalista Revolucionário que vieram do Rio de Janeiro em sua defesa acabaram presos também.

O filme se apóia em vários depoimentos dos participantes ainda vivos, como o ex-sargento Amadeu da Luz Ferreira e Hermes Machado Neto. Também conta com preciosas imagens de arquivo, algumas inéditas, da extinta TV Tupi. Essas imagens mostram detalhes da captura dos guerrilheiros, que havia mobilizado uma das maiores operações militares do país até então, envolvendo cerca de 3 mil homens, entre policiais militares de Minas e do Espírito Santo, além de integrantes do Exército e da Aeronáutica.

Pelo tema, o filme cria uma ligação com outro documentário recente sobre os anos de chumbo, "Hércules 56", de Silvio Da-Rin, este revelando as circunstâncias da troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick por um grupo de guerrilheiros, que acabou indo para Cuba, em 1969.

Na ficção, o filme "Batismo de Sangue", de Helvécio Ratton, igualmente expôs a experiência de freis dominicanos na luta armada em São Paulo nos anos 60, a partir das memórias de um deles, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)


31/01/2013