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65o. Festival de Veneza - 2008

31/07/2007 - 10h22
Michelangelo Antonioni, o cineasta da solidão e da incomunicabilidade

Divulgação

Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni em A Noite (1961)

Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni em A Noite (1961)

PARIS, 31 Jul 2007 (AFP) - O diretor de cinema Michelangelo Antonioni, uma das últimas grandes figuras da idade de ouro do cinema italiano, falecido na segunda-feira, era o cineasta da incomunicabilidade, da dificuldade de viver e do amor impossível.

Com duas dezenas de filmes, se consagrou internacionalmente: recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1964, por "O Deserto Vermelho", Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1967, por "Blow up - Depois Daquele Beijo", prêmio especial do júri em Cannes em 1982, por "Identificação de uma Mulher" em 1982, Oscar em 1995 e Leão de Ouro em Veneza em 1997, ambos pelo conjunto da obra.

Antonioni nasceu em Ferrara, no norte da Itália, em 29 de setembro de 1912, no seio de uma família burguesa. Fez brilhantes estudos de economia na Universidade de Bolonha.

Foi o primeiro crítico de cinema de uma revista local antes de se mudar para Roma para seguir os cursos do Centro Experimental de Cinema e colaborar com a revista "Cinema", considerados um foco de resistência ao fascismo.

Em 1942 em Paris foi assistente de Marcel Carné, que filmava "Os Visitantes da Noite". No mesmo ano, foi co-roteirista de "Un Pilota Ritorna", de Roberto Rossellini.

Um ano depois, dirigiu seu primeiro documentário, "Gente del Pò" e, em 1950, seu primeiro longa-metragem, "Crimes da Alma", a história de um delito e do remorso que une e depois separa um casal de amantes.

Em poucos anos Antonioni impôs seu estilo, sóbrio e ascético, como radiografias do ser humano, de sua dificuldade de viver, tudo contado de uma maneira intimista. Com isso, ele se tornou o cineasta da alienação e da incomunicabilidade, segundo definiu o crítico italiano Aldo Tassone.

Seu estilo se afirmou na trilogia de seus filmes mais célebres: "A Aventura" (1960), "A Noite" (1961) e "O Eclipse" (1962), interpretadas pela atriz Monica Vitti, sua companheira e musa por cerca de dez anos.

"A Aventura" é considerado como o nascimento de um cinema introspectivo. Antonioni tratou a fundo da dificuldade das relações humanas e da fragilidade dos sentimentos.

Sua consagração veio com "Blow Up - Depois Daquele Beijo", que conta a história de um fotógrafo de moda que descobre, em seus negativos, que foi testemunha de um assassinato em Londres.

O público deixaria, nesse momento, de acompanhar a seus filmes, considerados de difícil acesso, mesmo quando eram muito elogiadas por sua estética.

Passariam muitos anos até a filmagem, em 1975, de "O Passageiro -Profissão: Repórter", com Jack Nickolson e Maria Schnneider, seu filme considerado como o mais bem-sucedido no plano estético e político.

Um derrame cerebral em 1985 o deixaria com paralisia parcial. Diante de sua condição, Antonioni só conseguiu dirigir seu último longa, "Além das Nuvens", graças ao cineasta alemão Wim Wenders, um de seus admiradores.

Wenders dirigiu o filme seguindo ao pé da letra as ordens de Antonioni, transmitidas por sua mulher Enrica Fico, 40 anos mais jovem.

O cineasta recebeu a homenagem de todo o cinema italiano durante sua festa de 90 anos em setembro de 2002.

Nos últimos anos, bastante doente, se refugiou do mundo nas artes plásticas, produzindo colagens e móbiles que foram expostos em Roma em outubro de 2006 sob o título O Silêncio em Cores.
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"Depois Daquele Beijo", de Antonioni, foi inspirado em conto de Julio Cortázar


26/11/2009