Depois do tradicional clipe de abertura da transmissão do Oscar, com homenagens aos clássicos de Hollywood, o apresentador Jon Stewart abriu a 80ª. edição da cerimônia de entrega dos prêmios com um discurso sobre o quão difíceis foram três meses e meio, por causa da greve dos roteiristas que paralisou a atividade dos estúdios americanos. "Esta é a noite do 'sexo para fazer as pazes'", brincou ele.
Em seguida, Stewart falou sobre os principais indicados e fez menção ao número de filmes violentos concorrendo, como "Onde os Fracos Não Têm Vez", "Sweeney Todd - O Demoníaco Barbeiro da Rua Fleet" e "Sangue Negro". O primeiro prêmio da noite foi entregue por Jennifer Garner, de "Juno", que anunciou os indicados ao Oscar de melhor figurino. Ela entregou a estatueta para a equipe de "Elizabeth - "A Era de Ouro".
No segundo bloco da transmissão, George Clooney, indicado ao Oscar de melhor ator por "Conduta de Risco", apresentou um clipe em homenagem aos 80 anos da Academia e de seu prêmio. Em seguida, Steve Carrell e Anne Hathaway, que contracenam na inédita versão para o cinema de "Agente 86", entregaram o prêmio de melhor animação para Brad Bird, diretor de "Ratatouille", que venceu pelo menos um forte concorrente, a animação francesa "Persépolis", de Marjani Satrapi e Vincent Paronnaud.
Em seguida, foram entregues os prêmios técnicos de maquiagem ("Piaf - Um Hino de Amor") e efeitos especiais ("A Bússola de Ouro"). O veterano Dante Ferretti levou o prêmio de direção de arte por seu trabalho em "Sweeney Todd". A atriz Jennifer Hudson, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por "Dreamgirls", anunciou o Oscar de melhor ator coadjuvante para Javier Bardem, por "Onde os Fracos Não Têm Vez", que agradeceu aos diretores, os irmãos Joel e Ethan Coen, ao elenco do filme e, em espanhol, à mãe e ao seu país natal, a Espanha.
O Oscar de curta ficcional foi para "Le Mozart des Pickpockets". Na premiação do curta de animação, aconteceu uma brincadeira que já se tornou tradicional, com um desenho animado apresentando os indicados. A abelhinha de "Bee Movie", com voz do comediante Jerry Seinfeld, anunciou o prêmio. A estatueta foi para "Peter and The Wolf".
Alan Arkin, que venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante no ano passado por "Pequena Miss Sunshine", anunciou o prêmio mais dividido e o resultado mais surpreendente da noite até o momento. Tilda Swinton, que contracena com George Clooney em "Conduta de Risco", ficou com a estatueta de melhor atriz coadjuvante, batendo fortes concorrentes, como Saoirse Ronan, de "Desejo e Reparação", e Cate Blanchett, de "Não Estou Lá". "Parabéns, cara", disse ela, ao receber a estatua dourada, fazendo menção aos 80 anos do prêmio da Academia.
Os atores Josh Brolin ("Onde os Fracos Não Têm Vez") e James McAvoy ("Desejo e Reparação"), ambos ignorados pelos votantes da Academia no prêmio de melhor ator, entregaram o Oscar de melhor roteiro adaptado para os irmãos Joel e Etan Coen por "Onde os Fracos Não Têm Vez". Eles adaptaram para o cinema o romance "Onde os Velhos Não Têm Vez", de Cormac McCarthy, que estava presente na platéia com o filho. Joel, o mais falante dos irmãos, agradeceu ao produtor do filme, que lhes apresentou o romance antes de ser editado, e à equipe. Etan, o mais quieto dos dois, fez menção de iniciar um discurso, mas disse apenas um tímido: "Obrigado!".
Depois do anúncio dos prêmios de edição de som e efeitos sonoros para "O Ultimato Bourne", Forrest Whitaker, que ganhou o Oscar de melhor ator no ano passado por "O Último Rei da Escócia", apresentou o prêmio de melhor atriz. Como se previa, Marion Cotiollard ficou com o prêmio por seu retrato de Edith Piaf em "Piaf - Um Hino de Amor". Favorita, ela subiu ao palco emocionada.
"O Ultimato Bourne", que havia ganhado os dois prêmios de som, ficou com mais uma estatueta de categoria técnica. O filme de Paul Greengrass, com Matt Damon no papel do indestrutível Jason Bourne, ficou também com o prêmio de montagem, para Christopher Rouse.
Nicole Kidman foi escolhida para apresentar o Oscar honorário para Robert Boyle, de 98 anos, diretor de arte de "O Lobisomem" (1941), "A Sombra de uma Dúvida" (1943),"A Sangue Frio" (1967), "Crown, O Magnífico" (1968), "Um Violinista no Telhado" (1971) ou "A Recruta Benjamin" (1980). Boyle foi aplaudido de pé pelos presentes.
A atriz espanhola Penélope Cruz abriu o envelope do vencedor de melhor filme de língua estrangeira. O Brasil indicou "O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, que ficou apenas na pré-seleção de nove indicados. O Oscar da categoria foi para "The Counterfeiters" (na tradução em português, os falsários), representante da Áustria.
John Travolta deu uma palhinha dos bons tempos de dançarino e quase caiu antes de anunciar a categoria de melhor canção. A vencedora foi "Falling Slowly", de Glen Hansard e Marketa Irglova, autores da música e protagonistas de "Once". Hansard, vocalista da banda The Frames, fez um longo discurso em que terminou com conselho: "Façam Arte!". Quando a pianista checa Marketa chegou ao microfone para fazer os agradecimentos, seu som foi cortado e ela voltou após o intervalo para completar sua mensagem. "Se vocês têm um sonho, corram atrás dele, porque há sempre esperança no fim", completou ela.
Depois de desfeito o mal estar com Marketa Irglova, Cameron Diaz anunciou o prêmio de fotografia para Robert Elswit, por seu trabalho em "Sangue Negro". Em seguida, Dario Marinelli agradeceu o Oscar de melhor trilha sonora por seu trabalho em "Desejo e Reparação". Hilary Swank apresentou a tradicional homenagem aos profissionais do cinema mortos no ano passado, como Barry Nelson (o primeiro James Bond), Kitty Carlisle Heat, Betty Hutton, Calvin Lockhart, Jack Valenti, Michelangelo Antonioni, Robert Clark, Deborah Kerr, Ingmar Bergmann e Heath Ledger.
Tom Hanks apresentou o bloco dos documentários e, no que pareceu ser uma provocação da Academia, fez uma homenagem aos soldados americanos servindo no Iraque. Hanks chamou um link para alguns soldados servindo em Bagdá, que apresentaram os indicados a curta documentário. O vencedor foi "Freeheld", de Cynthia Wade e Vanessa Roth. O ator apresentou também o prêmio de documentário longa-metragem, cujo prêmio ficou com "Táxi to The Dark Side", de Alex Gibney e Eva Orner, considerado um dos favoritos.
Depois de lembrar algumas cenas da entrega de Oscar de ator nas cerimônias passadas, Helen Mirren, a vencedora do prêmio de atriz do ano passado por "A Rainha", anunciou a vitória de Daniel Day-Lewis na categoria de melhor ator por "Sangue Negro". Lewis, que havia ganho a estatueta anteriormente por "Meu Pé Esquerdo", apenas confirmou um prêmio que era dado como certo.
No fim, a festa caminhou rápido para o encerramento. No mesmo bloco, Martin Scorsese anunciou o prêmio de direção para Joel e Ethan Coen, de "Onde os Fracos Não Têm Vez". E logo em seguida, o filme dos irmãos-diretores foi anunciado como o grande vencedor da noite.