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06/04/2008 - 04h25
Charlton Heston, o rosto da Hollywood dos anos 50
Paco G. Paz
Washington, 6 abr (EFE).- A voz profunda e o rosto sóbrio de
Charlton Heston, que morreu hoje em Los Angeles, permitiram à
Hollywood dos anos 50 recriar personagens históricos e bíblicos que
ficaram marcados como símbolos da sétima arte.

O lendário interprete, vencedor do Oscar de Melhor Ator por
"Ben-Hur" (1959), morreu em sua residência de Beverly Hills, após
ter sofrido por seis anos de uma lenta e ininterrupta deterioração
devido ao Alzheimer.

Com uma integridade própria de seus personagens, o ator anunciou
publicamente que sofria de uma doença que lhe tirava pouco a pouco a
memória e suas funções vitais, da mesma forma que ocorreu com seu
"bom amigo", o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan.

"Devo ter coragem e resignação", disse na ocasião Heston, quando
se viu obrigado a fechar definitivamente as portas para o cinema e a
qualquer atividade pública à frente da National Rifle Association,
organização americana em favor das armas que liderou durante anos.

Com seu porte atlético, seus traços marcantes e seu timbre de
voz, Heston se encaixou perfeitamente no tipo de estrela que
Hollywood buscava para suas grandes produções dos anos 50, nas quais
a indústria se inspirava na Bíblia e nos livros de história.

Heston será lembrado como Moisés em "Os Dez Mandamentos" (1956) e
o herói da reconquista espanhola Don Rodrígo Díaz de Vivar, em "El
Cid" (1961), além de vários outros personagens históricos.

Também participou de grandes produções como "55 dias em Peking"
(1963), "Terremoto" (1974) e "O Planeta dos Macacos" (1968),
história que reviveu quando interpretou um pequeno papel na nova
versão de Tim Burton, de 2001.

John Charlton Carter, como foi batizado, nasceu em Evanston,
Illinois, no dia 4 de outubro de 1924, e desde pequeno amou o
teatro.

Sua paixão pela interpretação o levou a se inscrever em cursos de
teatro na universidade, onde conheceu sua esposa, Lydia Marie
Clarke, com quem teve dois filhos.

Com ela, interpretou várias peças de teatro, e protagonizou em
1948 a obra de Shakespeare "Antonio e Cleópatra", que foi um grande
sucesso por dois anos.

Heston foi contratado para interpretar o papel de Marco Antonio
no filme "Julius Caesar" (1949), dirigido por David Bradley, papel
que lhe abriu o caminho para o estrelato.

A partir daí sua carreira decolou, e ele participou de dezenas de
filmes, entre eles "O Maior Espetáculo da Terra" (1952), de Cecil B.

DeMille; "A Selva Nua" (1954), de Byron Haskin; "O Segredo dos
Incas" (1954), de Jerry Hopper, "Os Dez Mandamentos" (1956), de
Cecil B. DeMille, e "A Marca da Maldade" (1958), de Orson Welles.

Nos anos 60 participou de filmes como "Agonia e Êxtase" (1965),
"O Senhor da Guerra" (1965), "Khartoum" (1966) e "O Planeta dos
Macacos" (1968).

Nos anos 70 trabalhou em filmes como "O Senhor das Ilhas" (1970),
"No Mundo de 2020" (1973), "Os Três Mosqueteiros" (1973),
"Terremoto" (1974) e "Aeroporto 75" (1974).

Heston teve também uma forte faceta política, e se tornou
conhecido como o último bastião dos conservadores em Hollywood.

Além de ser um republicano fanático, foi um firme defensor
direito dos americanos de usar armas, como demonstrou através da
National Rifle Association, que presidiu durante anos.


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