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30/04/2008 - 08h00
Super-herói dos anos 60 se adapta com perfeição ao século 21
TETÉ RIBEIRO
Especial para o UOL, de Nova York
Não dá para imaginar o que os fãs de "Homem de Ferro" vão achar do filme. Mas minha impressão, tendo assistido à uma sessão para jornalistas no último sábado, em Nova York, sem nunca ter nem folheado uma HQ com o super-herói com coração mantido artificialmente, é que, talvez, na preocupação de agradar muito aos fãs, o diretor e os roteiristas tenham deixado de pensar em gente como eu. E olha que não sou fã do personagem, mas sou muito fã do ator e já vi filmes muito piores só para conferir o trabalho dele.
Para quem não lê muitos quadrinhos, filmes de origem costumam ser os mais legais, justamente porque apresentam o personagem antes e depois da transformação em super-herói, depois dos escritores já terem testado e melhorado suas histórias às custas dos leitores. Foi assim com "Homem-Aranha", sobre o qual eu sabia um pouco mais que sobre o Homem de Ferro - afinal seu alter-ego trabalha como fotógrafo de um jornal. De todos os filmes do "Batman", meu preferido é o "Batman Begins", de 2005, que eu pude ver sem ter que lembrar nada, quem é do bem, quem é do mal, quem vai trair depois. Os filmes de origem podem ser vistos isolados, independentemente do que se sabe sobre os personagens.
Isso dito, "Homem de Ferro" tem grandes atrativos além do Robert Downey Jr (mas nenhum tão atraente). A história do bilionário genial que produz armas para o governo norte-americano é totalmente atual, e o fato de ele ser um cara jovem, bonitão e inteligente é tão amedrontador quanto interessante. Dá para imaginar um cara naquela posição defendendo a construção de armas como o Tony Stark defende. A casa dele é um caso à parte. Poderia ter saído de uma revista de arquitetura e tecnologia. Fiquei pensando se a casa do Steve Jobs é tão high-tech quanto aquela, enfiada no meio de uma montanha e com janelas de vidro que viram telas de computador com o comando do dono.
E o fato que desperta seu lado humanitário não pode ser mais romântico e cheio de segundas leituras: capturado no Afeganistão, onde vai fazer uma demonstração de um novo explosivo, Tony Stark é seqüestrado e tem seu coração atingido por pedaços de uma bomba que ele mesmo criou. Na caverna em que acorda, descobre que um outro inventor seqüestrado ligou uma bateria de carro ao seu peito para que ele não morresse, assim os dois juntos podem recriar o explosivo, que então ficará para o terrorista que o seqüestrou e que promete libertá-los depois. Mas, tendo visto a destruição que suas armas provocam, Tony resolve construir uma armadura com a sucata de seus próprios explosivos, fugir do cativeiro e dedicar sua vida a proteger os inocentes.
E é mais fácil fugir de uma caverna vigiada por terroristas de um país em guerra com um coração mantido artificialmente que convencer seu sócio na empresa, Obadiah Stane (Jeff Brigdes), de que não quer mais construir armas. Mesmo sem apoio de ninguém e sendo tratado como um caso de stress pós traumático pela mídia, que o chama de "mercador da morte", Tony vai em frente com seu plano e passa a dedicar todo seu tempo (e a parte mais divertida do filme) à construção da armadura perfeita para voar alto e rápido, localizar os alvos desejados e atirar para matar, mas só quem merecer.
E quem merece? Bom, de cara os terroristas afegãos. Depois, um piloto americano que vê aquele OVNI nos céus e recebe ordem de destruir o que quer que seja (legítima defesa vale ouro no mundo dos super-heróis). E, finalmente, seu primeiro arqui-inimigo, Obadiah Stane, que se revela um traidor e que constrói uma armadura muito maior e mais poderosa que a de Tony Stark com o plano de vender por uma fortuna para o exército dos EUA. Antes, porém, precisa acabar com a vida de seu sócio, o que tenta fazer vestindo sua armadura gigante (nos quadrinhos, esse arqui-inimigo é o Monge de Ferro, mas esse nome não aparece no filme).
E foi aí que o longa me perdeu. A grande batalha da história, a seqüência final e teoricamente o grande momento do filme acontece em uma luta com dois robôs. O que era um filme calcado em um personagem tão interessante vira "Transformers" nos momentos finais. Mas antes que você levante da cadeira com uma certa má vontade, "Iron Man", a música da lendária banda de heavy metal Black Sabbath, dispara durante os créditos finais e faz lembrar que a vida pode ser muito divertida.
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