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30/04/2008 - 08h00
Robert Downey Jr. fala sobre a retomada do estrelato com "Homem de Ferro"
TETÉ RIBEIRO
Especial para o UOL, de Nova York
Robert Downey Jr. teve várias quedas e recomeços, grande parte deles motivado pela bebida e drogas. Faz três anos que está casado com a produtora Susan Downey e, garante, tem uma vida estável.
Tony Stark, o alter ego do Homem de Ferro, tem muito em comum com Downey Jr., além do bom humor e da postura de bon vivant. Essa foi uma das razões que fizeram Jon Favreau escolhê-lo para o papel principal de "Homem de Ferro".
Embora ele tenha alternado papéis entre filmes grandes ("Zodíaco") e pequenos ("Santos e Demônios"), ainda não tinha repetido repercussão parecida com o de seu início no cinema. Segundo diz nesta entrevista, esse pode ser o início de um novo e duradouro recomeço.
Quantas entrevistas como essa você já fez desde que começou a divulgar esse filme? Poucas, pelo menos para o meu gosto (risos). Não quero parar de falar sobre esse filme.
O "Homem de Ferro" promete trazer o seu nome de volta à lista A de Hollywood. É isso que você quer? Entre outras coisas, muitas outras coisas. Mas eu estava brincando quando disse que não quero parar de falar sobre esse filme, mas é que eu sinto que é como uma missão para mim. Eu mudei muito, como todo mundo sabe, e agora sou um homem casado, trabalhador, pai de família. O que estou fazendo com essas viagens de divulgação é como os machos daquele filme "Marcha dos Pingüins" (risos). Tenho que manter o ovo quentinho e longe do chão, garantir a sobrevivência da família e depois sair para comer.
O que foi mais emocionante para você nessa experiência toda? Primeiro ter conseguido o papel, o que parecia bem improvável no começo. Depois, a chance de trabalhar com o Jon Favreau, de quem eu sou fã desde que ele fez o filme "Swingers", em 1996. Tinha certeza que o Vince Vaughn ia virar uma estrela, mas aquela cena dele deixando recados na secretária da menina que conheceu há algumas horas me fez ter certeza que ele era um dos melhores escritores que surgiam naquela geração, que é a minha geração. Aí deu certo, consegui trabalhar com ele e era um filme com muito dinheiro, um personagem querido, a armadura era incrível, os cenários também, as explosões eram perfeitas, tudo no set era maravilhoso, bem cuidado. Mas durante todo o processo eu e o Jon mantivemos uma rotina quase monástica, muito disciplinada. Eu pelos motivos óbvios, o Jon porque estava querendo perder peso, mas também porque a gente queria manter a energia e o senso de humor para usar quando fosse preciso, e foi ótimo, está durando até agora (risos).
Você tem falado muito em Jon e eu, pretende continuar trabalhando com ele? Eu tenho esse sonho, sim, deu muito certo nesse filme, e se ele for bem de bilheteria não tem porque a gente não repetir a experiência.
Você quer dizer outros filmes além de uma possível continuação do "Homem de Ferro"? Claro. Gostaria de fazer outros filmes com o Jon. E esse é o nosso cartão de visita, tomou dois anos da vida do Jon, um da minha, e você só tem uma chance de fazer uma boa primeira impressão, se estraga isso não tem como voltar atrás.
"Homem de Ferro" deverá ser um dos maiores blockbusters do verão. Você está tão confiante quanto o resto das pessoas que prevêem 300 milhões de dólares de faturamento só nos Estados Unidos? Eu acho que temos um bom filme, sim, mas não dá para prever essas coisas com tanta exatidão. Achei que meu último filme, "Kiss Kiss Bang Bang", ia fazer sucesso, eu gosto muito, mas ninguém foi ver, foi um fracasso de bilheteria. Com "Homem de Ferro", sempre gostei do que a gente estava fazendo, mas comecei a ficar mais confiante quando a reação à notícia de que eu seria o personagem principal foi positiva, depois um pouco mais quando mostramos um trecho do filme na Comic-Con e o público adorou, agora em estado de semipânico com a estréia se aproximando (risos).
Se tudo correr como o previsto, como imagina que vai lidar com o superestrelato? Quem me dera, eu sou um poço de inseguranças, mas um poço de inseguranças com estilo e senso de humor. Sério, pretendo me esconder se isso acontecer, não dá para viver a vida com medo de ser fotografado 24 horas por dia. Mas eu sou esperto e sei brigar, então acho que vou ficar óquei.
Seu próximo filme, "Tropic Thunder", dirigido por Ben Stiller, também começou a gerar muitas especulações na mídia por causa do seu personagem, um ator branco que quer se fazer passar por negro para interpretar um soldado em uma guerra Eu já tinha sido escolhido para ser o "Homem de Ferro" e fui passar uns dias no Havaí. Descobri que o Ben Stiller também estava lá, fui visitá-lo, e ele me contou que ia começar a filmar "Tropic Thunder" e gostaria que eu lesse o roteiro e considerasse o papel, mas eu só conseguia pensar em "Homem de Ferro". Mas depois li o roteiro, gostei e achei que seria a melhor contrapartida para o crash que é terminar um filme, ainda mais o filme que tem toda essa espectativa, de reeguer minha carreira e tal.
Você corre o risco de virar um workaholic desse jeito. Não, esse é um vício que não me pega. Eu não gosto da idéia de ter que trabalhar para viver, gostaria que alguém me desse um dinheiro todo ano, não precisa ser uma fortuna, uns 300 mil dólares já bastavam, só para eu existir e poder atuar quando quisesse. E tentar outras coisas, quem me garante que eu não sou um ótimo escultor?
Infelizmente, vou ter que perguntar sobre as droga. E infelizmente eu vou ter que responder. Não me incomoda, eu sempre falei abertamente sobre meus problemas, mas eles estão no passado agora. Estou na melhor forma física da minha vida e pessoalmente também tudo vai muito bem. Estou casado desde 2005 (com a produtora Susan Downey) e sem problemas com as drogas ou com as leis desde 2001. Mas preciso tomar cuidado e ser ao mesmo tempo meu pai e minha mãe, meu conselheiro e meu psicanalista, ainda que tenha tudo isso em outras pessoas também.
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