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30/04/2008 - 08h00
Jon Favreau conta como brigou para ter Robert Downey Jr. em "Homem de Ferro"
TETÉ RIBEIRO
Especial para o UOL, de Nova York
Fã de histórias em quadrinhos e de heavy metal, Jon Favreau fez o caminho que muitos críticos "sérios" condenariam ao fogo do inferno. Especialmente aqueles que viram o jovem talento brilhar no Festival de Veneza de 1996 com o ótimo "Swingers", longa-metragem de estréia do ator e diretor, em que contracenava com seus amigos Vince Vaughn e Ben Stiller.

Favreau foi escolhido para uma tarefa que muitos jovens talentos, nascidos na explosão pop dos anos 80, sonhariam em agarrar como se fosse a última de suas vidas. Coube a ele adaptar para o cinema "Homem de Ferro", um dos super-heróis mais humanos criados por Stan Lee.

Divulgação
Jon Favreau orienta Robert Downey Jr no set de "Homem de Ferro"
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Na entrevista a seguir, revela que, apesar da boa vontade dos executivos do recém-criado Marvel Studios, teve que insistir muito para ter Robert Downey Jr. no papel de Tony Stark. Além disso, contou porque brigou pelo ator e amigo.

Você é a pessoa responsável por fazer esse filme ter a qualidade que a Marvel espera de seu primeiro lançamento e que os fãs esperam do personagem que conhecem tão bem. Ao mesmo tempo teve que fazer um filme que mesmo quem nunca leu um quadrinho do Homem de Ferro na vida tenha vontade de ir ver no cinema?
Sua pergunta é uma ótima resposta. Vou usar nas próximas entrevistas (risos). Mas vá em frente?

Teve alguma dificuldade em balancear todos os interesses e espectativas?
A Marvel é uma empresa muito afável e muito aberta a novas idéias, ao mesmo tempo conhece muito bem seus produtos e sabe que são os fãs que vão determinar o futuro do filme. Os grandes estúdios não estão nem aí com os leitores de histórias em quadrinhos, mas a Marvel só virou o que virou por causa dos fãs, então eles não vão fazer um filme que contradiga os quadrinhos. E todas as pessoas que trabalham lá parecem ter um interesse genuíno no resultado do trabalho, é um estúdio muito diferente dos outros. Eu quis muito fazer um filme que desse lucro a eles, porque sei que apostaram todas as fichas nesse primeiro lançamento e porque eu quero fazer mais desses filmes. Então eles me deram total liberdade no casting, apesar de ter muita resistência ao nome do Robert Downey Jr., mas a resistência veio de mais em cima, das pessoas da diretoria que não queriam correr nenhum risco.

Por causa dos problemas dele no passado com as drogas?
Não só por isso, mas também porque ele é um ator mais velho (tem 43 anos), e botá-lo no primeiro filme do que pode vir a ser uma série poderia ser arriscado.

O Michael Keaton não tinha mais de 40 anos quando fez o Batman?
Tinha, mas ninguém sabia nada sobre franquias naquela época. O Jack Nicholson ficou bilionário porque assinou um acordo em que ganha uma porcentagem de todos os filmes do Batman que fizeram desde que ele viveu o Coringa no filme de 1989 (dirigido por Tim Burton, com Michael Keaton no papel principal). O personagem dele morre no filme e ele continua ganhando dinheiro com todos os outros. A idéia de fazer filmes em série com super-heróis é mais ou menos nova. Eles queriam um ator jovem, barato, que não tivesse nenhum história por trás e não ofuscasse o personagem.

Eles ofereceram uma lista de atores que gostariam de ver como personagem principal?
Podia ser qualquer ator, o que eles diziam é que não fazia diferença, o personagem seria a grande atração. Eles não precisavam que fosse uma estrela, só um ator que não fosse atrapalhar nem impedir que os pais levassem os filhos ao cinema.

Por que fez questão do Robert Downey Jr.?
Porque ele é sempre bom, sempre engraçado, tem um lado subversivo e um senso de humor parecido com o do personagem, e parecido com o meu, ele é ótimo com improvisos, dá para brincar muito no set. E todo o mundo quer trabalhar com ele. Até as falhas dele são boas para o filme, porque ajudam a informar o público a respeito do personagem, ele adiciona mais algumas dimensões ao Tony Stark. Eu sabia que os fãs iam gostar, e esse é o único superherói que ele poderia interpretar porque ele não precisa ter o corpo de um ginasta nas Olimpíadas, é um cara que só precisa parecer esperto o suficiente para fazer tudo que ele faz. Acho que a escolha do Robert Downey Jr vai ser vista como a escolha do Johnny Depp em "Piratas do Caribe", que fez tudo ficar mais interessante.

Quanto você teve que brigar para conseguir convencer a diretoria de que ele era o melhor ator para o papel?
Muito, muito. O que finalmente os convenceu foi o teste que o Robert fez comigo. Quando a Marvel viu o que ele poderia fazer e como ele estava ótimo no papel, todo mundo se convenceu de que o lado bom dessa história era muito bom para não levar em conta. E o que eu vejo cada vez mais é que o público estava esperando por isso, e está totalmente aberto a aceitá-lo como a grande estrela que ele é de verdade. E ele é um homem muito digno, que fala sobre seus problemas com as drogas abertamente, sem meias-verdades, sem tentar aumentar ou se fazer passar por vítima nem renegar o passado. E é muito bacana ver como ele aproveita essa chance, como ele está feliz de estar em um filme desse tamanho, que causa tanta espectativa entre os fãs.

O quanto o seu lado ator ficou com vontade de experimentar aquela armadura e estar no papel principal?
Eu fiquei com um pouco de inveja, sim. Cada vez que chegava um novo modelo da armadura eu me pegava com vontade de experimentar. Mas quando a filmagem começou fiquei tão preocupado com todos os detalhes do filme, a iluminação, os outros atores etc, que me dei um personagem só para acalmar o ego (um assistente do Tony Stark), mas na hora de editar acabei cortando quase todas as minhas cenas.

Se tudo correr como o esperado, você gostaria de dirigir os próximos filmes?
Claro, se não me tirarem do posto, eu não saio (risos).

Por quê?
Porque primeiro ganho muito dinheiro com isso, e eu gosto muito de ganhar muito dinheiro. É como a fala de "O Poderoso Chefão", "não somos comunistas, afinal de contas" (risos). Mas também gostei muito de trabalhar com esse grupo de pessoas, e daqui para frente não preciso mais tomar nenhuma decisão a respeito do elenco, o que é bem complicado e além de tudo foi ótimo trabalhar com a Marvel, foi diferente de todas as minhas outras experiências com estúdios.

Finalmente alguém em Hollywood admite que fez alguma coisa por dinheiro, que alívio?
Eu gosto de dinheiro, mas sinceramente não estava precisando de dinheiro, já podia comprar o que quisesse e mandar meus filhos pra universidade que eles escolhessem. Nunca tomei decisões profissionais só por causa do dinheiro, mas também não vou mentir, ter mais dinheiro é melhor que ter menos dinheiro. E se for possível unir de novo um bom trabalho, um grande roteiro, em um estúdio que dá total liberdade artística, com muito dinheiro, vai ser maravilhoso. E os números dois desses filmes em série são sempre melhores, porque você não precisa se preocupar com a origem do personagem, aí é hora de brincar. No número três fica esquisito, mas os segundos são sempre melhores que os primeiros.

Adorei ouvir Black Sabbath no final do filme. Foi sua a escolha da música "Iron Man"?
Tudo nesse filme é minha escolha. Por que eu pagaria centenas de milhares de dólares por uma música inédita quando existe uma música de uma banda que faz parte da história do rock'n'roll e que é perfeita para o filme?
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08/07/2008
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