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Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon não são os Beatles, mas não daria para saber a diferença enquanto as garotas "fab four" estavam filmando "Sex and the City -O Filme".
Durante a filmagem nas ruas de Manhattan, em 2007, blogs e rádios revelavam as locações diárias, os paparazzi agiam como tubarões em frenesi para se alimentar e multidões imensas se reuniam em qualquer lugar onde as estrelas estivessem presentes.
"Nós ficamos chocadas, empolgadas, lisonjeadas e surpresas", diz Parker, que também atuou como produtora do filme, "e realmente não esperávamos. Como produtora isso realmente complicou as coisas, porque envolvia outras questões. Após algum tempo nós perdíamos nossa programação, porque tínhamos que lidar com estas multidões, mas estes são os melhores problemas com os quais temos que lidar, contar com esse tipo de entusiasmo e pessoas ainda tão interessadas nesses personagens".
"Apesar dos paparazzi terem sido um problema, era bacana o fato de as pessoas se importarem. Então, você dá um jeito de se adaptar. Tudo aquilo está fisicamente na sua visão periférica, mas é preciso esquecê-los e fazer seu trabalho."
Por muito tempo parecia que um filme de "Sex and the City" seria tão provável quanto um casamento de Carrie Bradshaw (Parker) com Mr. Big (Chris Noth) ou Charlotte York (Davis) ter um bebê. A série da HBO encerrou suas seis temporadas em 2004, e um esforço inicial para a produção de um filme fracassou quando Cattrall se recusou a participar.
No fim, Parker tentou de novo, desenvolvendo um roteiro com o veterano roteirista da série, Michael Patrick King, que acabou escrevendo, co-produzindo e dirigindo o filme. Desta vez Cattrall assinou, assim como Davis e Nixon.
Falando por telefone de um hotel em Nova York, Parker soa aliviada por poder falar sobre o filme, lançado em 30 de maio nos Estados Unidos.
"Eu me sinto (...) incrivelmente privilegiada, é a melhor forma como posso descrever. Isto foi meu foco profissional dos últimos dois anos, não o meu foco pessoal, com muitos começos e paradas e muitos becos sem saída. Ele foi ressuscitado mais vezes do que posso contar. O fato de termos conseguido fazer o filme que Michael e eu realmente queríamos fazer, de termos lutado pelas coisas que considerávamos importantes e agora podê-lo apresentar para o público, é realmente algo além de nossos sonhos mais loucos."
O filme encontra o quarteto central da série quatro anos após o episódio final. A vida não ficou parada para as quatro: elas viveram, amaram, perderam, seguiram em frente repetidas vezes. Carrie está prestes a se casar com Big, Samantha Jones (Cattrall) está lutando com questões de monogamia, Charlotte está feliz por estar grávida e Miranda Hobbs (Nixon) está enfrentando problemas conjugais.
"Não foi uma tentativa de fazer com que o tempo não tivesse passado, de esquecer seus passados, para que fossem quatro mulheres simplesmente caminhando por Manhattan, bebendo com liberdade e procurando por parceiros sexuais interessantes. O passado delas informa o presente e o futuro delas. Nós, Michael e eu, realmente não pensamos no meio. Nós só pensamos na história."
"E de forma alguma, após todo este tempo e com todo o talento e dinheiro que conseguimos reunir, iríamos nos limitar a um mero episódio mais elaborado. Michael e eu nunca fomos preguiçosos em nossas tentativas de produzir isto. Não é nosso estilo, não é o que faríamos com nosso público."
Mais especificamente, Parker queria apresentar Carrie Bradshaw, sua personagem colunista de sexo, como uma adulta. Na vida real, a atriz tem 43 anos e está casada com o ator Matthew Broderick há mais de uma década -eles têm um filho de 6 anos, James- e ela queria reconhecer este ponto de vista na tela.
"Este é um filme sobre perdão e sobre reconhecer sua própria duplicidade em suas decepções, sobre começar a mudar as coisas por conta própria."
"Quando você tem 20 anos e tem decepções no amor ou no trabalho ou na família, seus amigos realmente podem ajudar a distrair você. É disso que se trata essa idade. É sobre ir de calça de agasalho para a casa de sua amiga ou encontrar alguém no bar e, três dias depois, você estar recuperada."
"Mas, quando você tem 40, as coisas têm muito mais significado e as apostas são muito mais altas. O que eu queria para Carrie era que ela se tornasse essa pessoa adulta, e acho que Michael me escreveu o papel de uma vida."
Retomar a velha química com Cattrall, Davis e Nixon provou ser fácil, diz Parker. Assim que as quatro se reuniram, "o músculo da memória" assumiu o comando.
"Nós basicamente ensaiamos para o filme por seis anos. Sim, nós nos afastamos dele por algum tempo, mas a esta altura é completamente familiar. Você nos coloca juntas em uma sala, nos dá um roteiro e, sim, você se sente um pouco enferrujada e precisa de um pouco de óleo para que funcione de novo, mas a afeição e a conexão, elas estão lá."
"É difícil explicar, e não sei se existiria se você nos colocasse em qualquer outro tipo de ambiente, com um roteiro diferente. Mas nesta circunstância está tudo lá."
Há chance de que haja ainda outro filme de "Sex and the City", mas Parker evita até mesmo considerar a perspectiva de calçar os Manolo Blahniks de Carrie para outra rodada.
"Eu ainda não pensei nisso por um segundo. Me fazem muito essa pergunta, mas o simples fato de chegar até aqui foi mais do que eu poderia esperar e, honestamente, sinto que olhar além deste filme é ganância. E realmente não depende de nós -depende dos críticos, do público, e acho que o próximo mês vai ditar muito mais do que qualquer coisa que Michael, eu ou o restante das pessoas envolvidas estejamos pensando."
Algumas atrizes podem não se importar em revisitar um papel que interpretaram por tanto tempo e com o qual estão tão estreitamente associadas. Parker interpretou vários outros personagens durante e após "Sex and the City", incluindo a animada Nell Fenwick em "Polícia Desmontada" (1999), a empresária tensa em "Tudo em Família" (2005) e uma médica simpática em "Smart People" (2008).
Dadas as circunstâncias, Carrie foi uma velha amiga bem-vinda e não um estorvo.
"Eu fiquei empolgada", diz Parker com entusiasmo. "Querer experimentar outras coisas foi o motivo para ter tomado a decisão difícil de acabar com a série. Por mais feliz que estivesse lá, eu pensei, 'este é provavelmente o motivo para não ficar, porque poderia fazer isto para sempre e permanecer extremamente confortável'."
"É ótimo dispor das opções que tive, continuar fazendo papéis diferentes e interessantes. Eu nunca senti que a série me limitava. Eu reconheço plenamente que este é um papel com qual sou identificada, e por algum motivo eu não o sinto como sendo um fardo."
(Tradução: George El Khouri Andolfato)