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Depois de anos de espera, os fãs de "Sex & The City" vão ver na tela grande o desenrolar das vidas das quatro melhores amigas em busca do amor e do sexo na cidade de Nova York. Agora quarentonas, as mulheres altivas que se transformaram em ícones fashionistas vivem as primeiras crises da meia idade e, no processo da maturidade, tomam escolhas sobre o que é ou não hora de deixar para trás.
O filme, que estréia no Brasil nesta sexta (6), retoma do ponto em que parou a última temporada da série. Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) se reconcilia com Big e decide sobre casamento e a possibilidade de abrir mão do seu adorado apartamento dos tempos de solteira. Samantha Jones (Kim Cattrall) dá continuidade ao relacionamento com o jovem ator hollywoodiano que a apoiou quando teve câncer. Charlotte York (Kristin Davis) consegue adotar com o marido judeu uma filhinha chinesa. E Miranda Hobbes (Chyntia Nixon) vive aos trancos e barrancos com Steve, morando no subúrbio no Brooklyn com o filho e a sogra.
Apesar de ser irretocavelmente fiel a série, parecendo uma versão estendida de um episódio da TV, os excessivos dramas familiares e reviravoltas amorosas deixam o ritmo do filme arrastado. A parte dedicada às tristezas e frustrações também pincela com tom sombrio o enredo que originalmente era mais cômico e dinâmico. Saem de foco o sexo e a cidade, os pilares da abordagem cosmopolita da série, e ganham destaque o melodrama e a amizade, num roteiro previsível.
E, apesar disso, a incursão cinematográfica tem tudo para ser um sucesso a exemplo do bom retorno de bilheteria do filme, que já estreou nos EUA e na Europa, a audiência na TV e a vendagem de DVDs e produtos associados pelo mundo.
O estrondo comercial de "Sex & The City" confirma que Carrie e suas amigas se transformaram num ícone de uma geração de mulheres cujos valores passeiam pela independência financeira, o glamour ditado pelo consumismo e a autonomia feminina, inclusive nas relações afetivas.
Em contraponto a outra série que pegou carona no mesmo nicho de público, "Desperate Housewives", que reaviva as "amélias" do século passado existentes nas dondocas de Wisteria Lane, o fenômeno "Sex & The City" e seu discurso se transformaram na bandeira da feminista moderna, já inserida no mercado de trabalho. É a mulher que não quer rasgar soutiens e deseja ser bem-sucedida, ter os mesmos direitos que os homens (do salário ao sexo casual) e, por outro lado, ser linda, suave, feminina e apta ao amor romântico. Tal como suas avós.
De certa maneira, é como se a vida das personagens fosse o espelho do projeto de vida de uma geração que desponta. Essa platéia, que ao longo de uma década acompanhou Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, vai se encantar ao rever as mulheres que tanto a inspira, mas, de certa maneira, pode amargar um quê de frustração quando se der conta da desmistificação do herói, da humanização das divas.
Por mais que estejam "montadas" com casacos Prada e sapatos Manolo Blahnik, são mulheres como tantas outras, inseguras, ansiosas, frívolas e neuróticas em busca do equilíbrio e da felicidade. Se nem elas escapam ao clichê dos fetiches do véu, da grinalda, das fraldas e do álbum de família, a vanguarda não passa do que está ao alcance na vitrine. A constatação da verossimilhança pode gerar ambigüidade: de um lado, quem torce pelo "gente como a gente", e de outro, quem coloca num pedestal o objeto da admiração.