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26/06/2008 - 16h22

Ben Burtt, o mago do som, explica as vozes sintetizadas de "Wall-E"

IAN SPELLING
Hollywood Watch
Há três anos, Ben Burtt concluiu a última das "prequels" de "Star Wars", e o veterano designer de som achou que tinha deixado para trás espaçonaves, robôs e aventuras intergalácticas para sempre.

Mas o diretor Andrew Stanton o convidou para ir até a Pixar escutar uma idéia sobre algo chamado "WALL-E".

Reprodução
Ben Burtt, o técnico por trás do som de R2D2 e da voz sintetizada de Wall-E
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"O que constatamos, claro, é queele realmente precisava da criação das vozes dos personagens principais do filme, porque eram robôs", diz Burtt. "Então, o desafio era: 'Você pode criar um conjunto de vozes para esta máquina e personagens robôs que tenha todo o charme, personalidade e cor que precisam ter, mas que ainda soem como se fossem máquinas conversando?'"

"Esta era basicamente minha tarefa. E além disso, claro, eu tive que criar todos os efeitos sonoros para os ambientes, veículos, aparelhos eletrônicos e tudo mais neste filme."

"Wall-E" se passa no ano 2700 e segue as aventuras do personagem título - Waste Allocation Load Lifter Earth-Class (algo como Empilhadeira de Lixo Classe Terra)- que passou os últimos 700 anos como o único robô em funcionamento na Terra depois que os seres humanos fugiram do planeta em busca de ambientes mais seguros. Ao longo dos séculos, ele desenvolveu uma personalidade e se apaixona quando vê Eva, um robô de pesquisa enviado para a Terra pelos humanos interessados em voltar para casa. Quando Eva parte, Wall-E a segue e têm início uma aventura através da galáxia.

Stanton, o diretor/roteirista vencedor do Oscar de "Vida de Inseto" (1998) e "Procurando Nemo" (2003), foi astuto em explorar os talentos de Burtt, que já ganhou quatro vezes o Oscar e cujos créditos incluem os seis filmes da série "Star Wars", os quatro Indiana Jones, incluindo o atual "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal", e "E.T. - O Extra-terrestre" (1982). Burtt é famoso por ter criado as "vozes" de E.T. e Chewbacca, entre outros.

Falando por telefone de seu escritório nos estúdios da Pixar em Emeryville, Califórnia, Burtt explica que desenvolveu os sons e vozes para meia dúzia de personagens principais em "Wall-E", assim como os de uma dúzia de personagens secundários. Ele costuma gerar cerca de milvsons por filme, mas "Wall-E" exigiu 2.500.

"A maioria dos diálogos é composta de sons que não são palavras normais", diz Burtt. "Em vez disso, eles são barulhos expressivos. Os de Wall-E são compostos de um conjuntos de sons mecânicos e motores que representam suas funções. Ele se move livremente, tem uma cabeça que vira, um suporte motorizado, e pernas e braços controlados por motores e máquinas. Logo, sempre que ele se move ou tenta pegar algo, há sempre um som associado a isso.

"Como grande parte do filme é uma pantomima e não há qualquer diálogo real, muito do que se atribuirá ao personagem virá dos efeitos sonoros. Além disso, Wall-E tem voz, como os demais personagens robôs. O truque é criar uma voz que tenha o calor e a alma de um personagem humano, para que todas as emoções estejam lá e o público possa se relacionar de alguma forma, e saiba o que estão pensando."

Ao mesmo tempo, diz Burtt, ele não queria que o público pensasse que as vozes dos robôs fossem os atores de costume falando ao microfone. A meta, então, era passar a ilusão de que estas máquinas conversam, que suas vozes são de certa forma sintéticas e geradas pelos circuitos.

"Então há sempre esta mistura de humano e máquina que estou tentando unir para manter esta ilusão. Muitos dos sons de Wall-E e Eva e outros personagens robôs no filme são compostos de resmungos, suspiros e gritos. Eles podem murmurar para si mesmos, eles podem ficar estupefatos e fazer um som de surpresa que poderia, de certa forma, soar como 'Uau", 'Oh' ou 'O quê?' Mas não são palavras específicas.

"Os sons por si só carregam o significado das palavras, mas não são uma língua específica, como inglês, francês ou algo assim."

Os filmes atuais se beneficiam do advento da tecnologia digital, mas poucas pessoas percebem quão integral é o papel do som na experiência de assistir a um filme. Burtt está ciente desta realidade e a aceita sem queixas.

"Eu não acho que o espectador médio perceba e não espero que o faça, porque algo que adoro sobre o efeito é que as pessoas tendem a considerar tudo como sendo natural. Elas realmente não estão cientes, talvez, de que tudo o que ouvem é acrescentado depois - ou criado antes, no caso da animação - e simplesmente aceitam a naturalidade daquilo, caso você faça seu trabalho bem feito."

(Tradução: George El Khouri Andolfato)

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